Pag. 22 - Greve para inglês ver

Funcionários de empresas aéreas anunciam paralisação no dia 23, mas caos deve ficar só no papel o s sindicatos dos aeroviários e dos aeronautas aprovaram, nesta semana, uma paralisação geral no setor aéreo no próximo dia 23, às vésperas das festas de fim de ano. se fosse seguida à risca, a iniciativa causaria transtornos a 8 milhões de pessoas que devem passar pelos aeroportos brasileiros entre o natal e o ano novo. mas, ao que tudo indica, a greve não deverá funcionar na prática.

Grevistas pedem reajuste salarial de 13% para aeroviários, profissionais que exercem funções em empresas aéreas, e 15% para aeronautas, que trabalham dentro das aeronaves.

– o que me leva a acreditar que este movimento não terá sucesso é que, hoje, o que a categoria deseja não é um aumento salarial, e sim melhores condições de trabalho e a possibi lidade de ter uma vida social decente – explica o secretário-geral do sindicato nacional dos aeronautas, sérgio dias.

A descrença na greve é forte também nas companhias. o sindicato nacional das empresas aéreas (snea) deu aos seus funcionários um reajuste de 6,08%, já incorporado ao salário de dezembro, apesar da falta de acordo com os trabalhadores.

– as empresas não estão preocupadas, porque os sindicatos não têm força para mobilizar a categoria desta maneira – disse um funcionário do snea, que pediu para não ser identificado. comissário da gol, sérgio dias conta que o processo de otimização das principais empresas aéreas no mercado passou por cima dos direitos trabalhistas, fazendo com que os profissionais da área fossem forçados a fazer mais de 12 horas extras por semana, o máximo permitido pela legislação.

– as empresas não se organizaram – relata a diretora do sindicato dos aeronautas, graziella baggio. – elas esperavam um aumento da demanda de 6%, mas tiveram mais de 20%.