Poloneses tiveram sorte durante a crise mundial

Uma das grandes lições da crise da dívida europeia, segundo líderes poloneses, é que os países não devem adotar o euro até as economias e os mercados de trabalho de cada um deles estarem flexíveis para compensar a perda de controle sobre taxas de câmbio. a polônia não vai atender às exigências técnicas para ser membro da zona do euro até 2015. mas os formuladores de política, embora não pareça, têm pressa.

– se analisarmos as vantagens e as desvantagens de ser membro da zona do euro, há mais vantagens – disse aleksander grad, ministro do tesouro polonês.

As vantagens incluem eliminar riscos do comércio exterior com parceiros comerciais próximos. o zloty flutuante, que caiu 18% em relação ao euro desde o início de 2009, agiu como uma válvula de escape, ajudando a manter os produtos poloneses competitivos no mercado mundial e isolando a polônia dos efeitos da grave crise de dívida.

A polônia provou ser a economia mais obstinada da europa nos últimos dois anos. foi o único membro da união europeia a evitar a recessão, mantendo-se firme mesmo depois que um acidente de avião em abril matou grande parte da elite política, incluindo o presidente do país e o presidente do banco central.

Nenhum banco precisou ser socorrido. o desempenho econômico quase milagroso durante a crise financeira se deu por uma combinação de habilidade e sorte. o governo injetou dinheiro de estímulo na economia em 2009, e aproveitou uma linha de crédito do fmi. o país também teve sorte: seu setor bancário era pequeno se comparado ao tamanho total da economia, com menos potencial para danos. a dívida interna é modesta.

O rendimento deve crescer 4% ou mais em 2011, depois de estimados 3,6% este ano. os preços de imóveis comerciais em varsóvia estão subindo a uma média anual de 10%. o investimento direto estrangeiro deve subir 28% este ano, devido ao status de ser um dos poucos a crescer na europa. e quase ninguém está reclamando do influxo de dinheiro estrangeiro. além disso, os empréstimos feitos pelo governo estão mais altos do que o recomendável. o déficit deve chegar a 7,6% do pib este ano, levando a dívida total perto dos limites da lei polonesa que exigem drásticos cortes de gastos do governo.

A economia tem problemas básicos. ocupa a 70ª posição entre 183 países no quesito facilidade de fazer negócios, de acordo com o banco mundial, a baixa classificação se deve à excessiva burocracia que emperra a criação de novas empresas, trava a geração de empregos e prejudica a competitividade. um risco é que parte de seu crescimento é baseada no influxo da ajuda da união europeia e em outros fatores, como a construção de novos estádios e outros projetos relacionados ao campeonato de futebol europeu, que o país e a ucrânia vão sediar em 2012.

Se esses projetos forem bem feitos e tornarem a economia mais produtiva, vão contribuir para o crescimento. se não, pode haver uma desaceleração quando o fluxo de recursos financeiros diminuir.

Tradução: victor barros.