Desafio educacional dos limites

Antônio Luiz Bianchessi

FILÓSOFO, EDUCADOR E CONSULTOR

Os limites existem e são parte integrante do sistema educacional. Nós só temos que abraçá-los

Um certo clamor, quase generalizado, parece suspirar angústiain- quietante: “Será que é possível piorar?”. “Já atingimos o limite da insatisfação tolerável?”. O cume dainsegurança tor- na-nos impotentes e inertes para superar os desafios e ven- cer tropeços, sem ferimentos profundos, que podem sangrar carências de amor?Na reali- dade, muitos se perguntam: “Onde erramos?”. A educação permanece tema central debusca epesquisa. Dentrodo sistema,o maiorde- safio são os limites. A indecisão assumeformas abrangentese preocupantes. Aparentemente, aúnica saídapromissoraseria determinar e impor limites. Na educação vertical vigen- tenãodispomos desaídasdi- ferentes eseguras. Adotamos o poder e o autoritarismo como forma de obtenção de resulta- dos desejados. O sistema abraça paradig- mas externos,onde oeduca- dor expressa sua vontade e de- termina procedimentos.Nes- secontexto, oeducandoserá julgado, negativamente,se não cumprira ordemestabe- lecida e determinada. As técnicastornam-se obso- letas, porque as exigências, em especial da Geração Y ape- lam paraa autodeterminação e a adoção pessoal dos valores e normas a assumir. Adotamos a educação hori- zontal como sistema adequado ao atendimento dos reclamos dos tempos modernos. A educação horizontal tem como sustentáculoos para- digmas internos, onde o edu- cador se transformano faci- litadordas melhoresesco- lhas do educando. Os limites existem e são par- te integrante do sistema edu- cacional.Atuando nospara- digmas internos, abraçamos os limites conveniados. O educa- dor torna-se agente especial e conceituado de formação inte- gral do educando. O educandoassume, cons- cientemente, o cumprimen- toda decisão.Empregará 100%de suaspotencialida- des emprol deum projeto que lhe pertence. Aânsiade servisto,apre- ciado,querido, amado,reco- nhecido etc é inerente ao ser humano. São aspirações pro- fundas nabusca derealiza- ção pessoal. Senão forem atendidas, permanecerá, nos educandos, um vazio de difí- cil preenchimento. Se não atendermos a esses re- clamosda naturezahumana, poderemos formar educandos violentos, vingativos,neuróti- cos, inseguros, inconsequen- tes, ansiosos poraparecer a qualquer custo, capazes de pra- ticar o contrário daquilo que lhes foi ensinado. O reforço da- do pelo educador, através do re- conhecimento de atos bons e aceitos como valores significa- tivos,fomenta suarepetição,e torna-sefonte honestaein- questionável de motivação. Nessecontexto, énegativo o educador apegar-seà con- denação de erros e defeitos. Muitos erram, consciente- mente, porque se torna a téc- nica disponível para um aler- ta doloroso de que eles, edu- candos, existem. A dúvida pode surgir quando há necessidade de conveniar limitescom crianças.Como agir seo pequenoser merece correção pelo comportamento que apresentou na família? É evidente que, em geral, a criança se sente incapaz de ab- sorver a lógica das normas di- tadas pelo educador. O fundamental reside no amor que o educador mani- festa, com absoluta sinceri- dade, à criança. Afirma-se que até, aproxi- madamente, cinco anos de ida- de, o pequeno ser capta intui- tivamente os sentimentos dos pais e daqueles que o cercam, referentesà aceitaçãooure- jeição de sua presença. Se predominar a rejeição, torna-se difícil desenvolver umfilho amoroso,capazde convivência pacífica e harmo- niosa. Talvez predominem a re- volta, o desafeto e a violência por pertencer àquela família. Aplicar oslimites convenia- dos em criança é tarefa que exi- ge amor e técnicas oblativas de doação à causa. O alerta do cer- to e do errado andará imbuído de afeto. A conversa de mãe que ama e abraça o filho, com amor e alegria, será sempre a melhor terapia. Diga-lhe que o ama in- tensamente, que se orgulha de tê-lo comofilho e,ao mesmo tempo,dando-lhe, comentu- siasmo, estímulos positivos. Umgesto deamorsupera, em dinamismoeducacional, quinhentas palmadas. Como conclusãolimito-me arepetir frase minha publicada em ou- tros artigos. Educador, não de- terminea caminhadadoedu- candonem caminheporele, mas facilite aescolha cons- ciente do caminho.

Um gesto de amor supera, em dinamismo educacional, quinhentas palmadas