A família

Não é verdade. A doutrina cris- tã vedaa relaçãosexual fora dessesacramento oucom aex- clusão, por meios artificiais, de seu efeito reprodutivo.Em ou- tras palavras, impedindo uma de suas finalidades. Esse ato de- ve estar aberto à vida. Cabe aos pais decidir sobre o número dos filhos,tomando tambémem consideração aspossibilidades do que podem dispor para edu- cá-los. E utilizando somente mé- todos naturais. Em nossos dias cresce uma de- ficiência queafeta umag rave obrigação dos progenitores. Re- firo-me à omissãodos pais em dar aos filhos uma educação se- gundo os preceitos cristãos. O clima, que direi de loucura, pela permissividademoral quese respira por toda parte, acovarda alguns paise mães,diante das exigências audaciosas da prole. Os que assimprocedem darão severas contas a Deus. Todo fiel, consciente deseus deveres,ja- mais permitiráalgo quefira a sua consciência cristã. O “não” deverá ser envolvidopela bon- dade, que não se confunde com fraqueza ou ausência. A obser- vância dos compromissos dian- te do Senhor, com a ajuda mútua dos esposos na educação dos fi- lhos, mesmo quenão obtenha resultados positivos, muito aju- daráacriar oumanterumam- biente de paz, que vem de Deus. A falha nessa matéria gera mui- tos outros problemas, que le- vam à crise no lar. Evidentemente, a construção constanteda estruturafamiliar necessita do fator religioso, a co- meçar pelo exemplo. O ensino dos encargos oriundos do Evan- gelho, a oração e, em especial, o terço em família são fontes ines- gotáveis de bênçãos para todos e cada um. A observância do Dia do Senhor, oDomingo, seconstitui elemento importante na edifica- ção de uma família feliz. A missa dominical, se possível unindo to- dos os integrantes da comunida- de doméstica, se torna poderoso elemento de louvor e ação de gra- ças aoSenhor. O mesmose diga da leitura frequenteda Palavra divina, a Bíblia. Sem dúvida, pos- so assegurarque aí estáum pa- ra-raios contra as borrascas no lar eumafonte abundantedebên- çãos para a família.

Dom Eugenio Sales

ARCEBISPO EMÉRITO DO RIO

As ilusões propostas como verdades sólidas fazem muitos acreditar que o casamento é um oásis

“O futurodomundoeda Igreja passa através da fa- mília”. A constatação, ab- solutamente verídica, pode ser encontrada na exortação apos- tólica

Familiaris consortio

, do papa João Paulo II. Ela explica a atenção especial que a Igreja dá à sociedadedoméstica. Os problemasaumentam, emnos- sos dias, como resultado do am- biente quenos cerca edo en- fraquecimento dos valores que servem de alicerce à sociedade. O tema questiona, sumamente, o homem na atualidade. Uma das causas que geram to- das as crises conjugais e, de modo particular, a separação dos pais e suas sequelas, é a deficiência na preparação aomatrimônio. Um contrato que, para nós, é elevado à dignidade de sacramento – e, conforme São Paulo, “grande sa- cramento” (Ef 5,32)– exige cui- dadosa formação. Trata-se de uma opção definitivae indisso- lúvel pela lei natural e divina. A ausência de um profundo conhe- cimentomútuo émotivo dede- sentendimento e introduz o ger- me da desagregação. Com a con- vivência percebem-se defeitos fí- sicos, espirituais e de caráter até então ignorados.Muitas vezesa união conjugal fundamenta-se na paixão, e esta decorre do ins- tinto– opoderoso instintoque assegura acontinuidade daes- pécie humana – ao passo que o amor é um ato oblativo e se fun- damenta tambémna razão.Im- porta, portanto, identificar, em tempooportuno, qualdosdois elementos move à decisão em as- sunto matrimonial. Outro fator é a pressão de uma sociedade que promove a busca doprazere dafelicidadepes- soal a qualquer preço como um direito indiscutível, mesmo que, para alcançá-lo, atropele o outro cônjugee aprole. Esseé um grande dramaque foi esti- muladopela introduçãododi- vórcio. Dada afraqueza huma- na, certamentetodas asfamí- lias, nodecorrer daexistência, terão problemasa superar.A tentaçãoem resolvê-lascoma separação leva, com frequên- cia, à dissolução da vida em co- mum. Na atualidade,o indiví- duo se esquece da importância da ascese, da necessidade de su- portar os problemas que sur- gem no transcorrer da vida. No entanto, osofrimento éinstru- mentoválidoe fecundonafor- mação do caráter e no exercício da paz na vida matrimonial. Ela expressa a união de Cristo com sua Igreja. As ilusõespropostas como verdades sólidasfazem muitos acreditar que o casamento é um oásis a ser usufruído. Ora, isso só ocorre, se for construído e de- fendido dia a dia. No momento em que se pensa apenas em des- frutá-lo e, por vezes, à margem dos valores morais, envereda-se pelo caminho que leva à destrui- ção do lar. Ouvem-se, hoje, comentários de que a Igreja é contrária à sa- tisfaçãodo instintosexual,in- clusivedentro domatrimônio.