Um Senado sem T uma

José Sar ney

EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA

OSenado , dizia Milton Campos, é uma Casa em que, além da con - vi vência política, por sermos poucos e passarmos m uitos anos juntos, criam-se r ela - ções de amizade e de afeto que m uitas v ez es se tr ansf or - mam quase em irmandade. No Senado do Império , que er a vitalício , há a céle br e sentença do Mar quês de Abr antes, que, pr esidindo uma sessão e começando uma alter cação entr e sena - dor es, ad v ertiu: “Nada de brigas, v amos lembr ar que temos de vi v er juntos a vida i n t e i ra ” . O senador Romeu T uma er a uma dessas figur as que cul - t i vava a boa con vi vência, sempr e disposto a cola bor ar par a manter um bom am - biente dentr o das sessões e sempr e disposto a e vitar di - v er gências. Er a um homem bom, querido pelos colegas e pelo funcionalismo da casa, que tr ata v a com carinho e de - ferência. Com a saúde a balada, o c o- r ação sustentado pelo seu amor ao tr a balho , não r ecusa- v a tar ef a, nem aquelas de ce- rimonial e r epr esentati vida- de, compar ecendo a todas as solenidades e r euniões que dissessem r espeito aos tr a b a- lhos ou ao pr estígio de sena- dor . Corr egedor da Casa desde que o car go f oi criado , sua e x - periência pr ofissional f azia com que as questões f ossem tr atadas e r esolvidas sem sen- sacionalismo . Er a um policial com alma de fr ade, cumprindo com seus de v e r e s silenciosa- mente. T r ata v a diariamente de todos os assuntos da pauta, apr ofundando-se no estudo das matérias, sendo um tr a b a- lhador inf atigáv el. Mar ca v a sua per sonalidade ter sido de- legado quando Lula f oi pr eso e ele deu um jeitinho br asileir o , com um toque de bondade, pa- r a permitir que Lula f osse ao v elório de sua mãe, a quem er a ligado pela vida de sofri - mentos e de lutas. O pr esi - dente Lula r e conheceu ter si - do tr atado com humanidade pelo delegado T uma. Quando fui pr esidente da República o con videi par a di- r etor da P olícia F eder al, não ti v e nenhum pr oblema com aquele ór gão , que agiu sem truculência nem per seguição a quem quer que f osse, amigos ou ad v er sários do go v erno , agindo sempr e dentr o da lei. T uma não tinha inimigos nem ad v er sários no Senado , e sua morte f oi sentida e la - mentada por toda a Casa, co - mo r ar amente acontece nes - tes momentos de per da. Com ele manti v e desde o tempo em que tr a balhamos juntos uma estr eita amiza - de. De v o-lhe o carinho e a atenção de sua gener osidade sempr e pr esente, inclusi v e nos momentos mais difíceis. P er demos um senador dos mais eficientes do Senado e eu, pessoalmente, um amigo a quem admi rava pelas suas virtudes pessoais, mor ais e humanas. Ele f ará g r ande f alta ao Senado e deixa uma lacuna que v amos custar m uito a pr eenc her .