O crepúsculo de uma geopolítica soberana?

Gilson Car oni Filho

SOCIÓLOGO

to , da inter v enção popular . Mesmo as mais notáv eis infle- xões no pr ocesso de constitui- ção e desen v olvimento desse Estado não conseguir am r e - v e rter essa tendência. Aliás, todas as v ez es que a ameaça de r e v er s ão se fez sentir , co - mo em 1964, as classes domi - nantes não hesitar am em r e - corr er à violência. É por tudo isso que o dis - cur so da dir eita de v e mer e - cer uma atenção especial. po , que a independência de um país só pode fundamen - tar -se na legitimidade do seu r egime político e na partici - pação social dos setor es or - ganizados. A política e xterna m ultila - ter alista do go v erno Lula, por afirmar inter esses nacio - nais, amplia ár eas de atrito com g r andes potências. P or isso mesmo é alv o da “r etó - rica do medo”, por parte dos que ad v o gam o r etorno do ali - nhamento incondicional com os Estados Unidos, a Eu - r opa e o J apão . Como os caminhos da polí- tica e xterna são indissociáv eis dos rumos das opções inter- nas, ficam clar as as mar cas constituti v as das fr ações de classe que apoia a candida - tur a de J o sé Serr a: subalter - nidade nas r elações interna - cionais e r e tomada, no âmbi - to interno , de políticas e x clu - dentes. Nas fr estas de v elhos pactos coloniais, o r e tr ocesso sempr e se apr esenta como cr epúsculo e destino . No próximo domingo decidi- r emos o nosso lugar no mapa.

Seríamos r eduzidos a uma máquina de segurança mer cadológica dos pr odutos expor táveis

Fala-se que a política e x - terna de um país é a e x - pr essão de sua política interna, da dinâmica de f or - ças sociais que e xpr essam um pr ojeto de inserção no cená - rio m undial. Se f o r assim, co - mo de v em ser v istas as críti - cas de setor es neoliber ais que, em sintonia com a r etó - r i c a d e britânicos e estaduni - denses, a classificam como de - sastr osa, “sem uma a v aliação adequada de nossas possibili - dades e r eais inter esses”? A questão é importante, pois r e v ela que, em uma e v en - tual vitória da oposição na eleição do próximo domingo , o Br asil sofr erá um pr ocesso de contin uidade nessa ár ea. Um lamentáv el r etorno a te - ses e conceitos de uma geo - política de vice-r einado . As declar ações de e x-c han - celer es do go v erno FHC de - n unciam, com toda a clar eza possív el, a natur eza e orien - tação da subalternidade pla - nejada. Seríamos r eduzidos a uma máquina de segur ança mer cadológica dos pr odutos e xportáv eis, r elegando a me - r as cerimônias aspectos substanti v os que, nos últi - mos oito anos, passar am a r e - fletir um país democrático e m a d u ro. A integ r ação r egional sobe - r ana daria lugar ao antigo ali - nhamento com o capitalismo centr al, r ecolocando o país no segundo plano do jo go in - Dantas, entr e outr os. O Ita - mar aty , como lugar ideal de f orm ulação e e xecução de políticas sober anas, não é compatív el com o ideário mer cantil dos v elhos sedi - mentos estamentais. Con vém lembr ar a história do Br asil, em particular sua independência. A ruptur a dos laços com a metrópole portuguesa, sob o bafejo do capital inglês, não r edundou na criação de um Estado na - cional de corte bur guês. An - tes, permitiu que uma oligar - quia fundiária e esc ravo c r a- ta articulasse um tipo de do - minação senhorial que im - pôs à emer gente sociedade br asileir a uma super estrutu - r a política, liquidada apenas no século 20. A estr atégia das nossas eli - tes, desde então , oper ou no sentido de frustr ar a demo - cr atização social, o que le v ou à e xclusão do po v o da cena pública. A construção do Estado Na- cional, entr e nós, r ealiz ou-se sistematicamente com o con- tr ole e a manipulação , pelo al- ternacional das nações. As dir etriz es e os meios de ação desse r etr ocesso são esboça - dos no discur so de J osé Serr a e na linha editorial das cor - por ações midiáticas que lhe dão sustentação . O objeti v o é contin uar si - lenciando inspir ações e prá - ticas brilhantes que têm ori - gem no pensamento alti v o de Ar aujo Castr o e San T hiago

A política externa de Lula, ao afir mar inter esses nacionais, amplia atritos com grandes potências

Mais do que n unca é pr eciso moti v ar a r efle xão e a análise de todos. A integ ridade e a sober ania nacional só se fun - dem em um Estado que e x - pr esse os inter esses da maio - ria dos seus cidadãos. Ainda r ecente e inconclusa, a supe - r ação das mais sérias patolo - gias de nossa f ormação his - tórica tem sido pedagógica. A pr endemos, em pouco tem -