A Europa e a crise

HEMISFÉRIO

Mário Soar es

EX-PRESIDENTE DE PORTUGAL

O mundo está muito complexo, e em aceleradíssima mudança, e a União Eur opeia, indifer ente

Em P ortugal, finalmen - te, toda a gente f ala da crise e começa a sen - tir -se atemorizada, quanto ao que daí poderá r esultar . Embor a ninguém se dispo - nha ainda a m udar o seu es - tilo de vida, mesmo que os pr o v entos sejam mais escas - sos. Os automóv eis conti - n uam a cir cular , apenas com uma ou duas pessoas dentr o; os r estaur antes, sobr etudo os mais car os, estão c heios; e as pessoas apr o v eitar am ale - g r emente a ponte par a f a - z er em curtas férias no Al - gar v e ou no estr angeir o . O derr otismo de m uitos tem sido tão insistente que as pessoas encolhem os om - br os e, como diria um cató - lico , entr egam-se à di vina p ro v i d ê n c i a … Muitos portugueses ainda não interiorizar am que a cri - se não é portuguesa: é eu - r opeia e global. E é m uito g r a v e, por que a União Eu - r opeia, sem uma estr atégia concertada entr e os Esta - dos-membr os, está a aplicar as medidas tr adicionais eco - nomicistas, par a r eduzir os déficits e o endi vidamento , sem quer er m udar o modelo de desen v olvimento . O que, p r ovav elmente, saneará as finanças mas poderá criar r ecessão . É justamente o pe - rigo que P ortugal pode cor - r er , com as medidas que lhe f or am impostas pelo Banco Centr al Eur opeu, pela Co - missão Eur opeia e pelas agências de r ating, que nin - guém sa be a que inter esses inconfessáv eis ser v em… As medidas que o go v erno Sócr ates tomou, e que têm sido tão criticadas, f o - r am-lhe impostas por Bruxe - las. Como f or am à Grécia, à Espanha, à Ir landa, à Islân - dia e por aí f or a. P oderiam ser r ecusadas? Ninguém com bom senso o dirá. P or - que P ortugal não poderia, neste momento , sair da z ona eur o nem da União Eur opeia sem g r a víssimos pr ejuíz os. P ode – e ac ho que o fez – discuti-las, contestá-las, no Conselho Eur opeu e pr opor a pr az o , em consonância com outr os Estados-membr os, um de bate a sério , no P ar - lamento Eur opeu, atr a vés dos nossos deputados, sobr e o caminho que a União Eu - r opeia está a seguir , sob a orientação da Alemanha, e que poderá le vá-la à desa - g r egação e à decadência. O m undo está m uito com - ple xo e em aceler adíssima m udança – dos Estados Uni - dos à Ásia, da África à Ibe - r o-América – e a União Eu - r opeia contin ua indifer en - te, centr ada nos seus pr oble - mas internos e com lider an - ças medíocr es que, infeliz - mente, a dirigem, incapaz es de audácia e de uma visão de f u t u ro …