Romaria dos bispos

-->Dom Orani João T empesta, O. Cist.-->ARCEBISPO DO RIO DE JANEIRO-->Avisita -->ad limina apostolo- rum -->, que significa no limiar , na soleir a, na entr ada, nos limites (das basílicas) dos apóstolos (P edr o e P aulo), é uma visita dos bispos diocesanos aos túm ulos dos apóstolos, na diocese de Roma, a primeir a de todas as dioceses do m undo e onde está a sé de P edr o , com quem se encontr am na pessoa do santo padr e. V isita esta carr egada de importân - cia e feita com periodicidade obri - gatória a cada cinco anos. Eviden - temente que isso depende m uito da época e dos compr omissos do papa e do númer o de bispos católicos. Ela é pr e vista no Código de Dir eito Canô - nico nos seus cânones 399-400 (“o bis - po de v e ir a Roma par a v ener ar os sepulcr os dos apóstolos P edr o e P aulo e apr esentar -se ao r omano pontífice”). Essa tr adição salutar é uma g r aça de Deus que nos dá oportunidade de estar junto à Sé de P edr o como um v oltar às f ontes e às inspir ações ori - ginais em tudo aquilo que significa esses locais. T ambém as cong r ega - ções, institutos, com unidades e g rupos di v er sos hoje f az em o mesmo , en - viando as pessoas que estão ligadas a certo tr a balho ou carisma a ir em atua - lizar -se nos locais onde a vida e o carisma iniciar am. Isso f az parte de toda instituição que busca r etomar sempr e o carisma inicial. Recor demos o esf orço do Concílio Ecumênico V a - ticano II sobr e o tema da “v olta às f ontes”. A pr esença nos locais his - tóricos ajuda-nos a estar ainda mais unidos ao espírito inicial. P or isso , no seu cerne é uma de - monstr ação de afeto e de obediência ao sucessor de P edr o n um r econhecimen - to visív el de sua uni v er sal jurisdição sobr e todo o orbe católico dentr o de uma per eg rinação dos bispos a Roma e com um encontr o pessoal com ele. P or sua v ez, o santo padr e demons - tr a afeto e solicitude par a com todas as dioceses do m undo , dando-lhes conselhos e orientações e, clar o , di - r etriz es. Nos pr on unciamentos do pa - pa encontr amos algo próprio par a cada r egional que f az a visita e tam - bém uma orientação par a toda a Ig r e - ja que está no Br asil, de f orma que, colecionando e publicando os te xtos dos discur sos do santo padr e, temos um tr atado de r efle xões sobr e a ca - minhada da Ig r eja em nosso país. Desde r emotos idos er a costume que os bispos fiz essem esta visita pe - riódica ao papa, em Roma. As pri - meir as manifestações dessas visitas nós as encontr amos na prática entr e os bispos italianos, cuja jurisdição se most rava mais próxima da Sé A pos - tólica. Sob o primado do papa Zacarias (743) encontr amos decr etos pedindo aos bispos da Sicília que fiz essem uma visita a Roma uma v ez pelo menos a cada três anos, que depois f oi alongado par a cinco anos. O caráter obrigatório das visitas f oi e xpr esso sob o pon - tificado de P ascoal II e principalmente em decr etos de Inocêncio III. O ritmo atual das visitas está nas decr etais do papa São Pio X, que, em dez embr o de 1909, já pedia que os bispos en viassem junto com a visita um r elatório completo sobr e o estado de suas dioceses. Essa obrigatorieda - de é contemplada hoje no Código de Dir eito Canônico: “O bispo diocesano tem obrigação de apr esentar ao sumo pontífice, a cada cinco anos, um r e - latório sobr e a situação da diocese que lhe está confiada” (can. 399). Nesse r elatório , os bispos pr estam contas de suas administr ações ao pa - pa e à Santa Sé. P odemos r esumir este r elatório da seguinte f orma: nome, idade e pátria, sua or dem r eligiosa, se a ela o bispo pertence, quando f oi sag r ado bispo . Depois uma declar a - ção ger al do estado da sua diocese e o cr escimento ou decréscimo do nú - mer o de fiéis, e a sua r elação com o último quinquênio apr esentado . In - f orma-se também a origem da dio - cese, seu g r au hierár quico: diocese ou ar quidiocese, e nesta última o númer o de sedes sufr agâneas. A e xtensão ter - ritorial da diocese, a sua língua e ender eços de corr espondências par a e v entuais consultas posterior es e complementar es. Se há católicos de outr os ritos pr esentes em seu ter - ritório , o númer o possív el de não ca - tólicos e a pr esença de outr as ig r ejas ou denominações r eligiosas de e x - pr essão . Inf orma-se também, é clar o , o númer o de sacer dotes e de or dena - ções acontecidas e a questão v oca - cional e a pr esença de seminaristas em sua casa de f ormação . Mencio - na-se o númer o de paróquias e outr os lugar es de culto e também a pr esença e o númer o de casas r eligiosas e co - légios católicos. Enfim, é um r elatório min ucioso sobr e a situação ger al e o estado específico da diocese. Esse r e - latório de v e ser entr egue em até seis meses antes da visita e não menos de três meses do início desta. A periodicidade começa em 1911. Existia no passado certa or ganização quando nos primeir os cinco anos ca - beria aos bispos da Itália e aos bispos das ilhas da Cór sega, Sar denha e Si - cília e Malta; no segundo período aos bispos da Espanha, P ortugal, F r ança, Bélgica, P aíses Baixos, Inglaterr a, Es - cócia e Ir landa; no ter ceir o período ca beria aos bispos do império aus - tr o-húngar o e alemão , e o r esto da Eur opa; no quarto período aos bispos da América e quinto período , aos bis - pos africanos, da Ásia, da A ustrália e ilhas adjacentes. Evidentemente que hoje depende m uito das cir cunstân - cias e das no v as r ealidades. Hoje os documentos que r egulam a visita é o decr eto -->Ad Romanam Ecclesiam -->, de 29 de junho de 1975, e os artigos 28 a 32 da constituição -->P astor Bon us -->, de J oão P au - lo II, de 28 de junho de 1988. Dur ante o Ano Santo de 2000, o papa J oão P aulo II suspendeu as vi - sitas -->ad limina -->de vido às comemo - r ações do Ano Santo . Com a sua doen - ça e r etorno ao P ai e a eleição do papa Bento XVI as datas f or am poster gadas. P odemos notar também que o númer o de bispos cr esceu significati v amente nos últimos anos. De acor do com o An uário P ontifício , no final de 1983 tínhamos 2.285 bispos diocesanos no m undo e outr os 651 bispos auxiliar es. Até o final de 2006 ha via 2.705 bispos e cer ca de 610 bispos auxiliar es. Em essência isso significa que o papa teria que atender , em média, 457 bispos diocesanos a cada ano , a fim de vê-los todos, no v amente, em cinco anos. Hoje essa média subiu par a 541. Embor a a obrigação da visita seja dos bispos titular es, estes, em ger al, se f az em acompanhar pelos auxiliar es. Assim como o papa as- sume uma visita de cer ca de 10-20 min utos por g rupo , s e m ultipli- carmos isso em hor as c hegar emos a númer os significati v os par a a agenda papal. Essa visita é, e videntemente, uma visita de tr a balho , de r eu- niões e de contatos que os bispos f az em junto à Santa Sé e a seus di v er sos or ganismos e dicastérios e comissões pontifícias. O nosso Regional Leste 1, além das ce- le br ações nas basílicas r omanas e da audiência e encontr o com o santo padr e, já agendou em média três visitas aos vários departa- mentos da Cúria Romana dur ante os dias da visita -->ad limina -->, do dia 23 ao dia 30 deste setembr o .