Cerimônia em homenagem a Luiz Melodia teve belos números musicais e distribuiu troféus com igualdade

Enquanto não começava a cerimônia de entrega do 29º Prêmio da Música Brasileira no Theatro Municipal na noite de quarta, o clima era descontraído. Artistas posando para dezenas de fotógrafos do lado de fora e, depois, batendo papo com os amigos no foyer. “Não tem uma cerveja para tomar? Minha glicose está baixando”, já avisava Zeca Pagodinho. “Vou ali tomar um negocinho”, apressou-se Moacyr Luz. 

O primeiro estava de convidado, o segundo, ganhou nas duas categorias em que estava indicado: melhor álbum (“Ao vivo, no Bar Pirajá”) e grupo de samba (Moacyr Luz e Samba do Trabalhador). Foi neste momento em que surgiu o coro de “Lula livre”, que ecoou na plateia, seguido de algumas vaias. Chico César, que levou troféu pelo álbum “Estado de poesia, ao vivo”, já havia feito, discretamente, um “L” com a mão, gesto seguido pelos melhores cantores de samba Leci Brandão e Criolo, que se ajoelhou em reverência à “mestra”.

Camila Pitanga e Débora Bloch apresentaram a cerimônia que intercalou a história da vida de Luiz Melodia, homenageado desta edição, com imagens do arquivo pessoal projetadas no telão, no belo cenário de Gringo Cardia, os anúncios dos vencedores e dez números musicais. 

A premiação foi equilibrada, os únicos que levaram dois troféus foram o cantor e compositor Moacyr Luz, As Bahias e A Cozinha Mineira (álbum “Bixa” e grupo dentro de canção popular) – banda erronea e repetidamente chamada de As “Baianas” e a Cozinha Mineira - o violonista Yamandu Costa (álbum instrumental por “Quebranto”, em parceria com Alessandro Penezzi, e melhor solista), o arranjador Mário Adnet (arranjador e DVD por “Jobim Orquestra e convidados”), João Bosco como melhor cantor com “Mano que zuera”, Mônica Salmaso (cantora e álbum de música regional por “Caipira”) e Chico Buarque (que disputou com três músicas e venceu com “Tua cantiga”, em parceria com Cristóvão Bastos, e álbum de MPB por “As caravanas”). 

Chico Buarque não foi, mas enviou o neto e parceiro Chico Brown. Ele não foi a única ausência sentida. Gal Costa, intérprete importantíssima na carreira de Luiz Melodia, que se tornou conhecido como autor em todo o Brasil, através da gravação em 1971 de “Pérola negra”, no antológico álbum “Fa-Tal – Gal a todo vapor”, e estava indicada pelo álbum “Estratosférica”, não compareceu à festa. A exemplo dos igualmente premiados Lulu Santos, Chitãozinho & Xororó, Roberto Carlos e Os Tribalistas. As irmãs Galvão, Mary e Marilene, emocionadas, receberam o prêmio de melhor dupla regional, aos 70 anos de carreira, e a ovação do público do Municipal.

Os números musicais da festa, que foi transmitida ao vivo pelo Canal Brasil, foram impecáveis ao homenagear Melodia. A primeira apresentação foi de Fabiana Cozza com “Meu nome é Ébano”; Baby do Brasil, com a voz cristalina, cantou “Magrelinha”; Alcione, melhor cantora na categoria popular, arrasou com “Estácio, Holly Estácio”, ao lado do violonista Renato Piau, parceiro de toda vida de Melodia; e Céu com “Salve linda canção sem esperança”. Entre os encontros, teve Áurea Martins e Xênia França com “Juventude transviada”, Zezé Motta dividindo “Dores de amores” com Sandra de Sá e Lenine com o filho João Cavalcanti em “Congênito”. 

Outro encontro familiar esperadíssimo - e inédito - foi o de Maria Bethânia com o irmão Caetano Veloso e os sobrinhos Moreno, Tom e Zeca Veloso cantando “Pérola negra”. O bandolinista Hamilton de Holanda e o violonista Yamandu Costa fizeram uma sofisticada versão instrumental de “Fadas”, a que depois se somou a voz de Pedro Luís e, no encerramento da noite, Liniker, Lazzo Matumbi e Iza cantaram “Negro gato”, com intervenções de pessoas dançando no ritmo das batidas de funk.