Big band celebra 70 anos de um múltiplo Egberto

Gaia Wilmer comanda a orquestra e convidados como Morelenbaum, Senise e o próprio homenageado

Com ingressos esgotados, diferentes convidados em cada noite, Gaia Wilmer comanda, de hoje a domingo, no CCBB, três shows pelos 70 anos de Egberto Gismonti. O homenageado, entre o piano e diversos tipos de violão, participa do terceiro show de “Egberto 70”, no domingo, como convidado, tal qual o saxofonista Mauro Senise e o violoncelista Jaques Morelenbaum, antigos parceiros. 

Morelenbaum participa do evento no sábado, com o gaitista Gabriel Grossi e o violonista Yamandu Costa. Já Senise toca também hoje, na abertura, tal como o pianista André Mehmari e o violinista Ricardo Herz. A cada dia, os convidados se juntam à banda de 19 músicos, dos quais 15 são de sopro, mais guitarra, baixo, bateria e piano revezado com acordeom.

Idealizadora do projeto, a compositora, arranjadora e saxofonista Gaia é radicada nos Estados Unidos, onde estudou na conceituada Berklee College of Music, em Boston, e fez mestrado no New England Conservatory. Catarinense de 33 anos – menos que a metade do homenageado –, ela só começou a estudar música “aos 22, 23”, influenciada pelo saxofonista Paul Desmond, integrante do Dave Brubeck Quartet e autor de seu maior sucesso, “Take five”.

De onde veio, então, tal interesse por um músico de instrumentos diferentes? “Desde criança, pelos meus pais, com os quais eu ouvia junto discos dele, como o ‘Circense’ (1980) e o ‘Mágico’ (1979) – este, inclusive, tinha um saxofonista, [o norueguês] Jan Garbarek. Eu gostava muito do som dele”, explica, lembrando do detalhe coincidente. “Além disso, é um músico sensacional, tanto como virtuoso em diferentes instrumentos quanto como compositor e arranjador, sempre com projetos muito diversos uns dos outros”, ressalta.

No ano passado, Gaia Wilmer venceu o prêmio de “melhor arranjo para big band” no DownBeat Award, criado por ela para “Sete anéis”, de Egberto, uma das músicas do homenageado que a orquestra tocará nos três dias de apresentação, tal como “Folia”, “Lôro”, “Infância” e “Em família”.

Também haverá músicas presentes em dias específicos. Hoje, por exemplo, André faz solo de piano, com interpretações de músicas de Egberto. “Salvador” estará só amanhã e “Realejo” no de domingo. “Procurei músicas que ficassem bem com big band e, entre os convidados, parceiros dele e músicos mais novos que sabia terem admiração por sua obra”, elogia Gaia, que, nessa série não toca, apenas rege.

“Tudo craque e também tudo maluco, porque toparam participar desta homenagem à minha música. Se não bastasse a complexidade que já tem, ela foi filtrada pelos arranjos que a Gaia resolveu fazer, que eu apelidei alguns de Saci-Pererê, é uma perna só. Parece às vezes que o sujeito escorrega, cai, mas não cai…Fico cada dia mais feliz pelo tamanho que a coisa hoje representa mas, sobretudo, porque tudo que é músico com que eu conheci, vivi, convivi, gosto e tenho amizade está participando”, devolve Egberto. 

“O grande elogio que estou recebendo nessa comemoração é saber que todos os músicos do passado, do presente e, certamente, do futuro, estarão no mesmo palco tocando”, acrescenta o homenageado.

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SERVIÇO

EGBERTO 70

CCBB. Rua 1º de Março, 66 – Candelária; Tel.: 3808-2020. De hoje a domingo, às 19h. Ingressos: R$ 30.