Joaquin, o salvador: confira crítica de 'Você nunca esteve realmente aqui'

Lynne Ramsay nunca é acusada de falta de sutileza e isso é estranho, tendo em vista suas obras de profunda histeria estética que costumam ser tratadas como “belos momentos de cinema” festivais afora. Depois de cometer ‘Precisamos falar sobre Kevin’, ela volta a atacar com seus excessos neste novo filme, que levou um estranho prêmio de roteiro em Cannes, além do esperado prêmio de ator para seu protagonista. 

Joaquin Phoenix. É aí que o filme de Lynne consegue “respirar por aparelhos”, afinal estamos diante do melhor ator de sua geração. Ele constroi esse herói anônimo que salva jovens indefesas seviciadas de maneira brilhante, mais uma vez motivando qualquer um a ver seu novo momento de humilhação da concorrência em uma atuação seminal. 

Ainda que não consiga salvar esse festival de equívocos estroboscópicos, o ator nos ajuda a esquecer a captação de imagens hilária e a trama sem pé nem cabeça concebida para o filme, que incluem crianças brigando por chocolate na guerra. Poderia ser fascinante em outra direção. Com ela, é só ruim.

*Membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ)

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VOCÊ NUNCA ESTEVE REALMENTE AQUI: * (Ruim)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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