Indigesto e primoroso: confira crítica de 'Tesnota'

Filme russo de estreia do diretor Kantemir Balagov, “Tesnota” alterna cenas de um promissor cineasta com algumas que não impulsionam a narrativa ou revelam ser indigestas. Ainda assim, o resultado é muito bom. Balagov retrata uma pequena comunidade judaica no final dos anos 1990, onde um casal de noivos é sequestrado. Sem condições da comunidade local pagar o resgaste, ressentimentos e dilemas morais surgem colocando em xeque a família Koft. 

Uma estética crua e realista é utilizada para conduzir este drama que mostra o impacto na vida da protagonista, Ilana Koft (Darya Zhovnar). A atriz é brilhante e cativa o público desde a sua cena inicial numa oficina ajudando o pai. Ela fascina nas cenas quase incestuosas com seu irmão, antes dele ser sequestrado, e tem a oportunidade de mostrar diversas camadas desde o relacionamento afetuoso com seu namorado até o casamento arranjado para que este traga a solução financeira. Seu conflito entre as tradições e o hedonismo a que se consegue chegar num vilarejo, ao norte do Cáucaso, são arrebatadores.

“Tesnota” peca nas intenções obscuras do realizador ao colocar cenas reais de tortura de soldados russos por chechenos, que foram parar na internet, e outras doses de um realismo mundo cão, que acabam sendo desnecessárias. O filme gerou polêmica em Cannes e foi vencedor da mostra Un Certain Regard, de 2017. 

*Assistente de direção e jornalista

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TESNOTA: *** (Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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