Feios, sujos, malvados e assumidos: confira crítica de 'Os incontestáveis'

Estreia em longas de Alexandre Serafini, “Os incontestáveis” causou um enorme rebuliço na Mostra Tiradentes do ano passado. Acusado de misoginia e machismo, dividiu com o “Subybaya”, de Leo Pyrata, o posto de “filme a ser atirado na fogueira” daquela edição. A ousadia e a cara de pau do filme acabam tornando o programa imperdível.

Os irmãos vividos por Fábio Mozine e Will Just saem pelo interior em busca do Maverick antigo do pai desaparecido, regados a muito conhaque, rock, ausência de bom mocismo, palavrões a granel e, de fato, um comportamento completamente recriminável em relação às mulheres. Aquelas duas figuram não existem às pencas por aí? Com toda certeza.

Infelizmente, no terço final, o filme abusa da nossa boa vontade e ultrapassa os limites do bom senso e do bom gosto, e parece acabar cedendo às acusações que lhe foram feitas. Até essa mudança de tom (que, verdade seja dita, promove uma dose de psicodelia rara no cinema) no entanto, o filme caminhava por uma estrada tão absurda quanto engraçada, homenageando Monte Hellman e o cinema da Nova Hollywood, na garupa de dois caras muito escrotos e com uma performance inspirada de Fábio Mozine. 

*Membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ)

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OS INCONTESTÁVEIS: ** (Regular)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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