Erasmo Carlos volta ao Circo com álbum focado no amor pela mulher e pelos amigos

Depois do sexo, vem o amor. Passados seis anos e cinco meses, Erasmo Carlos volta neste sábado ao Circo Voador para lançar seu novo álbum de músicas inéditas, recheado de parcerias com amigos e embalado por um novo amor.

Em março de 2012, ele subiu ao palco da Lapa para lançar “Sexo”, seu disco gravado no ano anterior e que fazia dobradinha com o anterior, “Rock’n’roll”, celebrando, em sua idade septuagenária, curtições usualmente relacionadas à juventude. Passado um álbum de estúdio (“Gigante gentil”, de 2014) e dois ao vivo, o Tremendão retorna para dizer que “Amor é isso”, nome do disco lançado em maio, com 12 faixas.

Um regresso à temática romântica? “Na verdade, não”, afirma o cantor e compositor de 77 anos de idade e 61 de carreira – desde o grupo vocal Sputniks, formado em 1957 com Roberto Carlos e Tim Maia. “Esse tema nunca me abandonou, porque eu vivo disso. Amor é tudo, é a lei da vida. Por isso, eu quis falar do amor como conceito, do amor maior, que encampa todo o resto”, filosofa. “Canto todos os tipos de amor, sem preconceito: de pai, de amigo, pela natureza, e, claro, pela pessoa amada”, afirma o músico, casado desde o ano passado com a pedagoga Fernanda Passos, 28. 

Quase meio século mais jovem, a mulher inspira boa parte das letras de “Amor é isso”. Elas partem de 111 poemas escritos para um livro que o cantor pretende lançar no próximo ano. Enquanto a publicação não vem, Erasmo aproveitou alguns desses poemas para serem musicado – por ele mesmo e por parceiros.

À sintomática “Novo Sentido”, ele acrescentou a letra adaptando uma poesia sobre música composta por Samuel Rosa, do Skank, que lhe enviou harmonia, melodia e ideias para arranjos, incluindo naipe de metais. “Teus contornos sei de cor / no breu retinto da paisagem / te enxergo bem melhor”, dedica.

Já para Adriana Calcanhotto, ele enviou o poema “Seu sim”, que a cantora musicou, sob influência declarada de Roberto Carlos – em 1996, eles já haviam feito uma parceria, regravando, em dueto, “Do fundo do meu coração”, de Roberto e Erasmo.

Outro poema do futuro livro, “Pagar para viver” foi musicada pelo próprio Erasmo. Ela fecha o álbum e é uma das três composições que ele compôs só, assim como a faixa-título e o rock “Acareação existencial”.

Já com Arnaldo Antunes e Emicida, o caminho foi inverso: Erasmo entrou com a música e os parceiros com as letras. Parceiro de álbuns anteriores e poeta, Arnaldo recebeu uma melodia ao violão  e respondeu com a letra, bem romântica, falando de “flores de maçã perfumando o ambiente / nossos corpos nus / refletidos no seu olho diamante / terra é paraíso / para nós, o vício era só seguir adiante”.

Em “Termos e contratos”, Emicida fez a letra tanto para o rap discursado por ele, ao final, quanto para a melodia cantada por Erasmo. “A gente curte e deixa / surte efeito / surge sempre a dor / além do código binário / algoritmos, pop-ups / tipo presidiários / agora os deuses moram junto dos backups”, ironiza as atuais relações tecnológicas. “Essas obrigações que, agora, estão a toda hora na cara de todos; tomam conta da sua vida e te fazem escravo”, critica o cantor. 

Outro bom encaixe veio de Teago Oliveira, da banda Maglore, que não tem nem dez anos de estrada. Toda de sua autoria, “Não existe saudade no cosmos” acerta o teor amoroso do álbum, com arranjo meio etéreo.

De outros compositores, Erasmo Carlos também incluiu “Minha âncora”, de Nando Reis, e “Sol da Barra”, do ex-vizinho de bairro Marcelo Camelo – do qual já gravava “Para falar de amor”, em 2001. 

Ele ainda traduziu e regravou “New Love”, de Tim Maia e Roger Bruno, que virou “Novo love”.

Por fim, a abertura retoma duas parcerias, em “Convite para nascer de novo”, na qual escreveu a letra para a melodia de Marisa Monte e Dadi. Com ela e Carlinhos Brown, Erasmo já compusera “Mais um na multidão”, enquanto Dadi, baixista desde os Novos Baianos, tocou em sua banda como guitarrista. 

Desta vez, Dadi não está escalado, mas segue firme a base do grupo – mais um amor do Tremendão –, com o maestro José Lourenço (teclados), Rike Frainer (bateria), Billy Brandão (guitarra solo) e os irmãos Pedro Dias (baixo) e Luiz López (guitarra base – e que também sola nos espaços deixados por Billy, um gentil gigante do instrumento). A abertura é com o cantor e compositor cearense Daniel Groove.

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SERVIÇO

ERASMO CARLOS - AMOR É ISSOCirco Voador. Rua dos Arcos, s/n°, Lapa. Tel.: 2533-0354. Sábado, com abertura dos portões às 22h. R$ 60, com meia-entrada para quem levar 1kg de alimento não perecível. Capacidade: 2 mil pessoas. Classificação: 18 anos.