Internet hospeda festival dos festivais

Durante um ano, mais de 60 artistas criarão obras e performances inéditas na web

Com abertura ontem no Oi Futuro, curadores de alguns dos principais festivais do Rio iniciam um projeto comum na internet. Durante um ano, obras inéditas, do teatro ao audiovisual, da fotografia à música, das artes visuais à literatura, vão alimentar a plataforma Riofestiv.al. A iniciativa desafia curadores e artistas a produzir em um ambiente inteiramente virtual, explorando suas particularidades. 

Os curadores são Ailton Franco Jr., do Festival Curta Cinema; Batman Zavareze, do Multiplicidade, de arte e tecnologia; Bia Junqueira, Cesar Augusto e Márcia Dias, do Tempo Festival, de artes cênicas; Nayse López, do Panorama, de dança; Tânia Pires do Festival Internacional das Artes da Língua Portuguesa; e Karen Acioly, do Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens.

Cada um deles faz uma seleção de artistas, em dez projetos. As estreias podem ser diárias, semanais, quinzenais ou bimestrais. O público não poderá apenas ver e assistir às obras, mas também será convidado a interagir e a interferir em algumas delas. 

Há eixos que investigam o futuro, que fazem improviso, dramaturgia e tecnologia convergirem, que exploram a dicção humana e que usam bancos de imagens para gerar obras inéditas, entre outros. 

Tânia Pires faz a curadoria dos projetos “Conexões improváveis”, sobre improvisação, e “Peripécias poéticas”, em que poemas são lidos por pessoas de diferentes países lusófonos. Ela sublinha que, como o projeto transcorre ao longo de um ano, as obras podem se adaptar à reação do público, e compara a iniciativa à dramaturgia de uma novela, cuja construção não se pode antecipar: 

“Nos festivais presenciais, trazemos obras prontas. Neste caso, estamos quase as escrevendo de acordo  com a reação do público e de como as pessoas interagirem. A recepção é sempre muito imprevisível. É uma obra em movimento”, afirma. 

Em seu projeto “Avalanche”, com 13 artistas de perfis diversos, de Camila Morgado a Marcelo Yuka, Batman Zavareze, por sua vez, explora a torrente descomunal de informações nas redes sociais. Ele deseja tornar significativa a vida online. 

“Precisamos criar um espaço poético, pós-utópico e crítico com beleza e afeto nas redes cibernéticas. Hoje, temos um território polarizado, minado de discussões e superficialidades banais. Para preencher este vazio, resgatando as conexões entre nós, humanos, somente a arte e a liberdade poderão propor novos olhares. O desejo desta experiência é investigar futuros possíveis através da poética”, diz Batman.

O projeto “FaceGenerations”, sob curadoria de Karen Acioly, quer revelar o rosto dos artistas das próximas gerações. Os 26 adolescentes selecionados criam, aconselhados por uma equipe, “retratos digitais” de um minuto.

Com curadoria dos três responsáveis pelo Tempo Festival, o projeto “Portal U_topia” terá publicações semanais, unindo arte, curiosidades, humor e apelo pop para buscar por universos criativos e utópicos. 

O trio também apresenta “Esther, o extraterrestre”, sobre um youtuber alienígena.

“Curtas estórias”, de Ailton Franco Jr. e Paola Barreto, a seu turno, desafia artistas e internautas a criarem a partir de dez palavras-chave e de dez vídeos de um minuto.

Três projetos de Nayse López – “Insta.corpo”, “Dança caseira” e “Festival remoto” – completam o festival. As iniciativas exploram, sem se limitar a isso, relações entre coreografia, autoexposição, performance e conectividade.  As propostas também promovem conversas entre público e artistas. 

O festival pode ser acessado em: www.riofestiv.al.