Festival Carioca dos Livros oferece produções de editoras e livrarias independentes com desconto

De hoje a domingo, o calendário literário do Rio ganha uma nova opção, com o primeiro Festival Carioca dos Livros. Realizado no Galpão Rio, no Santo Cristo, o evento propõe unir as pontas iniciais (autores e editoras) com a ponta final (consumidores) da cadeia do livro. 

Mais de 70 editoras e livrarias devem participar, com descontos de 50% nos preços de seus produtos. A programação conta também com lançamentos, debates com autores e pesquisadores e atividades culturais, além de cervejarias artesanais e comida. 

Patrick Gauner, produtor do festival, destaca que muitas editoras pequenas estão na feira. Ele afirma que isso só é possível porque os valores cobrados pelos estandes foram baixos, inferiores até mesmo aos praticados por outros eventos. “Algumas editoras não conseguem expor seus livros em livrarias e vivem de feiras. Ao oferecer 50% de desconto, as editoras vão vender os livros pelo preço que fabricam, se retirado o percentual das livrarias”, defende.

Um destaque é a seção Agaquês, onde cerca de 40 autores nacionais de histórias em quadrinhos venderão seus produtos. O evento já aconteceu de modo independente na Praça São Salvador e é voltado para quadrinista independentes. 

O organizador da programação de HQs, Renato Lima, diz que, em uma edição passada,  “O doutrinador”, de Luciano Cunha, foi lançado. A série sobre um antiherói que mata políticos virou um filme que estreia em setembro. “O Rio é carente de eventos nesse sentido, o quadrinho independente é eclipsado. Essa é uma chance de os autores aparecerem e terem contato com o público”, diz o Renato, que também é desenhista.

As editoras e livrarias participantes incluem: Contraponto, especializada em filosofia e ciências humanas; Andrea Jakobsson Studio, de livros de arte; Malê, de literatura negra e africana; Metanoia, que publica de livros infantis a literatura LGBT; Paulus, de livros católicos; Papéis Selvagens, focada em ensaios, de antropologia a literatura; Berinjela, um dos melhores sebos da cidade; Livraria Francesa, de obras na língua de Molière.

As mesas de discussão incluem tópicos originais, como “Terror infantil, um nicho pouco explorado no Brasil”, às 13h de sábado. O ilustrador especializado em monstros Felipe Campos e o escritor infantil Guilherme Infante falam sobre um gênero popular no exterior, mas incomum no país.

Outro destaque é a mesa sobre presença negra nas artes, às 17h de domingo, com três escritoras e militantes:  Lívia Natália, do premiado livro de poesias “Dia bonito para chover” (Malê, 2017) Kenia Maria, autora do livro infantil “Flechinha” e nomeada “Defensora dos Direitos das Mulheres Negras” pela ONU, e Eliane Alves Cruz, que lançou o livro histórico “O crime no Cais do Valongo” (Malê) no primeiro semestre. 

Há 12 lançamentos de livros previstos. Um destaque é “A fuga - Rumo à luta armada contra a ditadura” (Editora Lacre), do jornalista e escritor André Borges, marcado para sábado às 19h. Líder de presos comuns, ele fugiu do presídio da Frei Caneca quando faltavam dois meses para a conclusão da pena para se unir à luta armada. 

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SERVIÇO

FESTIVAL CARIOCA DOS LIVROS - Galpão do Rio (Av. Professor Pereira Reis, 76 - Santo Cristo). 

De hoje a dom., das 10h às 20h. R$ 10.