Retrato matador: confira crítica de 'O nome da morte'

O jornalista e crítico americano H.L. Mencken observou uma vez que, para todo problema complexo, existe sempre uma solução simples e completamente errada. O autor percebia a preguiça da humanidade em entender origem e consequências para chegar a um resultado justo. Em “O nome da morte”, de Henrique Goldman, uma solução simples e familiar, na busca de um futuro melhor para o filho, resulta na formação de um dos maiores matadores da história do país.  

Livremente inspirado no livro do jornalista Klester Cavalcanti, o roteiro assinado por Goldman e George Moura revela a contradição de Julio Santana (Marco Pigossi). Religioso, ele é levado para a cidade pelo tio, um pistoleiro (o ótimo André Mattos). A história, inspirada em fatos reais, revela o aprendizado e anos de matança. No período, Julio conheceu a esposa (Fabíula Nascimento) e teve um filho, que não sabiam dos crimes. Julio confessou 492 assassinatos.

Com cenas de ação ousadas, incluindo um plano-sequência eficiente, a direção acerta nos momentos do Julio criminoso. A construção do lado família não é tão convincente e poderia ser dramaticamente mais interessante, considerando a vida dupla.

O filme revela a face da impunidade, em um país onde matar é gesto natural e a solução simples e errada, na ponta da pistola, transforma a todos em alvos.

*Jornalista e membro da ACCRJ

____________

O NOME DA MORTE: *** (Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

____________