Recriando lembranças: confira a crítica de 'Outra história do mundo'

O cinema segue homenageando a si mesmo em “Outra história do mundo” mais uma competente forma de celebrar o ato de contar histórias ou, nesse caso, recriá-las. Dirigido por Guillermo Casanova,  o filme é uma coprodução Uruguai-Brasil e conta as desventuras de uma amizade que ao mesmo tempo encarcera e liberta. Quando Milo e Esnas decidem fazer uma troça com um militar local na minúscula cidade de Mosquitos, as consequências da travessura são o desaparecimento sem pistas do primeiro e o enclausuramento do segundo.

O filme, a partir da metade, sai da narrativa naturalista que se encontra para mergulhar na fantasia que Esnas realiza para tentar encontrar o amigo, se tornando professor da cidade e recriando a origem da humanidade para uma plateia de alunos fascinados, que assistem o filme se transformar em uma espécie de ode à imaginação, tanto a que cria quanto a que embarca no sonho.

Com fotografia do brasileiro Gustavo Hadba (de “Faroeste Caboclo”) e protagonizado pelo talentoso Cesar Troncoso, a obra embarca visualmente na proposta do roteiro e promove, através da animação de bonecos de papel, um delírio barroco sobre a criação do mundo. No fim, costurando uma assumida homenagem na forma da celebração de um amigo, acabamos por perdoar os escorregões, em favor da visão carinhosa como o filme olha para as relações humanas.

*Membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ)

____________

OUTRA HISTÓRIA DO MUNDO: *** (Bom)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

____________