O gosto amargo do destino: confira a crítica de 'Café'

Muita gente acredita ser possível adivinhar o destino observando a imagem que se forma no fundo da xícara com a borra de café.  A trama de “Café”, de Cristiano Bortone, dá conta do destino e vai muito além da superstição. Através de três histórias que combinam com os três sabores básicos do café, o roteiro de Bortone, Annalaura Ciervo, Minghua Shi e Matthew Thompson dosa o amargo, o azedo e o perfumado e faz do café um elemento simbólico que integra a diversidade cultural presente no filme. Na Bélgica, a loja do iraquiano Hamed é saqueada e é roubado um bule de café, considerado relíquia. Na Itália, um sommelier se envolve em um assalto a uma fábrica de café. Na China, um homem é convidado a cuidar de uma fábrica que corre o risco de poluir um vale.

É inevitável a comparação com “Babel”, de Alejandro G. Iñarritu. Três histórias diferentes que se conectam em três países. Os atos têm consequências e a trama do destino funciona mais uma vez para denunciar a desigualdade social através da exploração. Há problemas de ritmo e dramaturgia no primeiro ato e no segundo, mas o final é bem resolvido com tensos dilemas. A música de Theo Teardo (o mesmo de “Il Divo”) é marcante e conecta estilos asiáticos e europeus. 

*Jornalista e membro da ACCRJ

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CAFÉ: ** (Regular)

Cotações: o Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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