Rival balança hoje para dar uma força a Bebeto

Longe dos palcos desde novembro do ano passado, quando sofreu um acidente vascular cerebral, o cantor Bebeto, que completa 65 anos daqui a uma semana, ganha esta noite de presente dos amigos show beneficente, para ajudá-lo a manter seu tratamento, ao qual será remetido toda a renda com a bilheteria. 

Sobem ao palco do Teatro Rival, às 19h30, colegas da música – do samba e de suas fusões com rock, funk e soul - para interpretar canções de seus repertórios e do próprio Bebeto, como “A beleza é você, menina”, “Praia e sol”, “Jéssica” e “Menina Carolina”. 

Apelidado de “rei do Suingue” no início dos anos 1980, quando teve seu período de maior sucesso, o cantor, compositor e violonista teve o AVC isquêmico diagnosticado depois de passar mal durante uma apresentação em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. 

Dois dos cinco escalados para o show de hoje estiveram com Bebeto entre os expoentes do que se convencionou chamar, nos anos 1980 e 1990, de suingue, combinando o samba-rock inspirado em Jorge Ben com arranjos de metais das gafieiras, funk e soul, principalmente em suas versões brasileiras, como as de Hyldon, Tim Maia e afins. 

Também cantor e violonista, o paulistano Dhema, 58, foi não apenas contemporâneo como parceiro de Bebeto, em cujos discos estreou como compositor, escrevendo algumas músicas de sucesso, como “Esperanças mil” e “Você é que me acalma”. 

Outro integrante dessa mesma geração a participar do show de hoje é Bruno Maia, que chegou a batizar seu álbum de 1990 como “Swing samba rock”. 

O lado instrumental ganha, no Rival, a participação de Zeca do Trombone. Instrumentista conceituado desde os anos 1970, ele acompanhou nomes do soul, como Tim Maia e Carlos Dafé;  do samba, como Alcione, Martinho da Vila e Beth Carvalho; e da MPB, como Ivan Lins e Milton Nascimento. Também gravou quatro álbuns solo – três entre 1977 e 1980 e mais um em 2001, batizado de “Gafieira”.

Por sua vez, tendo começado com a Bandavera na segunda metade da década de 1990, Rogê representa uma geração mais recente de músicos que seguem a tradição suingueira do samba-rock e suas vertentes. Guitarrista de mão cheia, o cantor de 43 anos mostra a influência do homenageado em músicas como “A nega e o malandro” e “Suingue do samba”. 

Jorge Aragão é o mais famoso entre os participantes do show beneficente desta noite. Embora seja conhecido como um representante do samba stricto sensu, o músico de 69 anos, fundador do Fundo de Quintal, também já compôs músicas no estilo samba-rock e samba-funk, além de xote e de ter iniciado a carreira musical como guitarrista em bandas de rock nos subúrbios cariocas na década de 1970.

Além das músicas do homenageado, não será de se estranhar se o público pedir sucessos do próprio Aragão, como “Coisa de pele”, “Vou festejar”, “Coisinha do pai” e “Eu e você sempre”. O acompanhamento dos músicos ficará a cargo da banda Swing Suburbano e a  abertura, com os DJs da equipe Swingueira Black. 

Nascido em São Paulo, em 6 de agosto de 1953, Bebeto acabou se tornando um carioca por adoção, pois se popularizou no Rio de Janeiro, matriz de suas maiores influências, Jorge Ben em particular. 

Torcedor do Flamengo, ao qual dedicou uma música em homenagem ao título mundial de 1981 – “Arigatô Flamengo” –, ele gravou seu primeiro álbum em 1981. 

Ele lançou 23 discos até 2010, quando já havia sido redescoberto, devido à popularização de músicos influenciados pelos mesmos estilos, como Seu Jorge. Nos períodos de menor sucesso, entre os anos 1990 e a década passada, o cantor jamais deixou de fazer suas apresentações para numerosas plateias no Grande Rio.

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Serviço 

SIMPLESMENTE BEBETO. TEATRO RIVAL. Rua Álvaro Alvim, 33/37, subsolo - Cinelândia; Tel.: 2240-9796. Hoje, às 19h30, com abertura da casa às 18h. R$ 60 (os cem primeiros a chegar pagam R$ 40). Classificação: 18 anos. www.rivalpetrobras.com.br.