Confira #Dicas de Discos do Caderno B

“50” - Joyce Moreno - Em 1968, Joyce usava apenas seu nome de batismo como alcunha artística; seu primeiro álbum, lançado naquele ano, também levava só o seu nome. Meio século depois, já bem habituada a usar o sobrenome herdado do marido Tutty, a cantora se auto-homenageia regravando na íntegra o LP de estreia. Não é necessário conhecer o original para apreciar a releitura; com a voz em ótima forma e um violão idem, Joyce mostra toda a sua madura versatilidade. Vale a pena conferir em especial a jazzificada “Bloco do eu sozinho” (Marcos Valle & Ruy Guerra) e a delicada versão de “Litoral” (Toninho Horta & Ronaldo Bastos).

“Garimpo” – João Cavalcanti & Marcelo Caldi - Circunscrito ao samba, o grupo Casuarina parecia impor limites à criatividade de João Cavalcanti. No primeiro trabalho lançado após deixar o conjunto, JC se une ao multi-instrumentista Caldi e buscou parcerias com Pedro Luís, Zé Renato, Claudio Jorge, o internacional Jorge Drexler e, claro, papai Lenine. De sonoridade limpa, que destaca a voz de João e um, no máximo dois instrumentos de Caldi em cada faixa, “Garimpo” traz uma MPB acústica e refinada, na qual brilham a melodia cativante de “Dia lindo” (parceria com a supracitada Joyce) e “Serpentina” (com Edu Krieger), um samba levado ao piano.

“Welcome to the blackout (live London 78)” – David Bowie - O mais recente lançamento extraído dos arquivos de Bowie (1947-2016) é um CD duplo (triplo, em vinil) com o registro de um show da turnê “Isolar II”, feita para promover os álbuns “Low” e “Heroes”. Naturalmente, as canções desses dois trabalhos – sempre considerados entre os melhores na carreira do cantor – dominam o repertório, de hits como “Heroes”  e “Beauty and the beast” a peças instrumentais como “Sense of Doubt” e “Speed of life”. Entretanto, grandes momentos de fases anteriores como “Fame”, “Ziggy Stardust” e “Station to station” também estão presentes.