Três longas brasileiros tentam a sorte no Festival de Veneza

Vai ter Brasil em diferentes latitudes do 75º Festival de Veneza (29 de agosto a 8 de setembro), que divulgou ontem sua seleção: três longas-metragens nacionais entraram para a seleção oficial.  

Flávia Castro, realizadora respeitadíssima no exterior pelo sucesso do documentário “Diário de uma busca”, vem agora com uma ficção, o esperadíssimo “Deslembro”, tentando a sorte em Veneza na mostra competitiva Horizontes. 

Já Fellipe Barbosa, que arrebatou Cannes em 2017 com “Gabriel e a montanha”, dirige em parceria com Clara Linhart uma produção chamada “Domingo”, cujo roteiro conta com um toque crítico de Lucas Paraíso, um dos autores de maior prestígio do país hoje. 

O terceiro título foge da ficção, ligado à seara do Real e da memória: “Humberto Mauro”, é um resgate que André di Mauro faz do legado do mítico cineasta mineiro responsável por “Ganga bruta” e outros cults – sua estreia será na seção Venice Classics Documentary. 

Nenhum dos três está na briga pelo Leão de Ouro, cujo júri será presidido pelo oscarizado cineasta mexicano Guillermo Del Toro (“A forma da água”).

Este ano, a disputa pelo felino será pesada. No páreo, estão filmes aguardados como “Roma”, de Alfonso Cuarón (diretor de “Gravidade”, também egresso do México, como Del Toro); o épico “Peterloo”, do inglês Mike Leigh; a comédia “Doubles Vies”, do francês Olivier Assayas (com Juliette Binoche), e o thriller de horror “Suspiria”, que o italiano Luca Guadagnino dirigiu como um remake do cult homônimo de Dario Argento. 

Originalmente idealizado como série da Netflix, “The ballad of Buster Scruggs”, dos irmãos Joel e Ethan Coen, vai para Veneza em forma de longa. “O primeiro homem”, de Damien Chazelle, será o longa-metragem de abertura da maratona cinéfila do Lido, em competição. 

“The other side of the wind”, longa que Orson Welles (1915-1985) deixou inacabado nos anos 1970, foi finalizado e terá uma projeção especial, conduzida pelo diretor Peter Bogdanovich, que cuidou da produção e participa do elenco. 

Um documentário do sérvio Emir Kusturica sobre o político uruguaio Pepe Mujica, chamado “El Pepe, uma vida suprema”, é um dos títulos de Veneza que mais estão atiçando a curiosidade da mídia latina. Se seguir a mesma linha do filme de Kusturica sobre El Pibe de Oro, “Maradona”, seu novo doc será garantia de polêmica para o festival. 

Programação completa em www.labiennale.org/en/cinema/2018/lineup/ venezia-75-competition 

* Roteirista e presidente da Associação de Críticos do Rio de Janeiro (ACCRJ)