Recordar é (re)viver: veja crítica do B sobre o filme 'Vinte Anos'

Quase dois anos após sua passagem pelo Festival de Brasília, de onde saiu com o prêmio Conterrâneos (ligado ao uso de arquivos) e o troféu de Melhor Trilha Sonora, “Vinte anos” leva ao circuito um misto de arqueologia da imagem com autoanálise de carreira, tendo Cuba como um chão comum entre o Ontem e o Hoje. 

Com uma narrativa sinuosa (envolvente por isso) ao saltar entre registros de época e observações do presente, o documentário é a jornada de volta de Alice de Andrade a um filme feito por ela em 1993, em solo cubano: “Luna de Miel”. À época, a diretora (do elétrico O Diabo a Quatro) quis radiografar modos de viver a dois em um país que alimentou o sonho revolucionário de sua geração. O resultado, à época, foi um poema sobre a perseverança do querer. 

Passadas duas décadas, o fascínio e o amor pelos ideias de Cuba não arrefeceu. Era hora de voltar e ver o que foi feito daqueles casais investigados nos anos 1990. O que se processa nesse regresso é, de novo, uma instância da Beleza: fala-se e processa-se o carinho, a partilha, a comunhão. A sequência em que uma família, outrora jovem, hoje bem sedimentada, explica que em seu lar, pobre, sempre cabe mais um, demonstra o amor em níveis plurais. E isso sem que a doçura embote o rigor no dispositivo da cineasta. 

* Roteirista e presidente da Associação de Críticos do Rio de Janeiro (ACCRJ)

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VINTE ANOS: *** (Bom)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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