Shows temáticos fecham Festival de Inverno da Casa do Choro, de hoje a sexta-feira

Um time de ases abre hoje a trinca de shows que fecha o festival deste inverno. Retomando o show “Choro carioca: Música do Brasil”, a cúpula da Casa do Choro sobe hoje ao palco. A presidente da casa, Luciana Rabello (cavaquinho), e o vice Maurício Carrilho (violão) tocam acompanhados pelo percussionista Magno Julio, o trompetista Aquiles Moraes e o pianista Cristóvão Bastos, muito celebrado no meio artístico por trabalhos diversos, inclusive como arranjador, com cantores como Paulinho da Viola e Jards Macalé.

O espetáculo tem roteiro que traça a história deste gênero, defendido como o mais antigo da música nacional, com raízes que remontam à vinda da Corte Portuguesa ao Rio de Janeiro no século XIX, trazendo partituras de estilos populares europeus, como a polca, e africanos, como o lundu, que, combinados à leitura feita por brasileiros, deu origem ao choro. Essa nova receita seria consolidada posteriormente pelas composições e os arranjos de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha (1897-1973).

Naturalmente, o flautista e saxofonista está no repertório do quinteto que toca hoje, assim como outros ícones do choro e estilos adjacentes, como Chiquinha Gonzaga, Henrique Alves, Joaquim Callado, Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, Radamés Gnattali, Dino Sete Cordas, Meira, Canhoto e Altamiro Carrilho (1924-2010) – tio de Maurício e flautista mais conhecido do Brasil, depois do próprio Pixinguinha.

“No século XIX, músicos, que já não eram mais portugueses, nem africanos, porque já haviam nascido e feito suas vidas aqui no Brasil, pegaram essas músicas de origem portuguesas, as leram com sua formação daqui, ainda que com influência tanto da música europeia quanto dos cantos africanos, e fizeram, de fato, o primeiro gênero musical criado já aqui no Brasil”, explica Luciana Rabello.

A direção musical do show de hoje é dela, com arranjos de Maurício Carrilho e Pedro Aragão e direção de imagem de Zeca Ferreira. A apresentação é ilustrada por projeções de fotografias raras e de obras de artistas relacionados à história do choro, como dos pintores Jean-Baptiste Debret (1768-1848) – francês que fundou, no Rio de Janeiro, a academia de Artes e Ofícios, rebatizada pela Corte como Academia Imperial de Belas Artes – e Cândido Portinari (1903-1962), autor de diversos quadros retratando músicos de choro.

Também haverá pausas com momentos pontuados por registros literários do escritor Lima Barreto e do letrista Paulo César Pinheiro. 

Literário é próprio o mote da apresentação de amanhã, encabeçado pelo bandolinista Pedro Aragão, que toca com os violonistas Iuri Bittar e Marlon Júlio e a cavaquinista Ana Rabello – filha de Luciana e Paulo César Pinheiro. O show “Baú do Animal” é baseado no livro “O choro”, publicado em 1936 por Alexandre Gonçalves Pinto, carteiro por profissão e boêmio por opção. 

Conhecido pelo apelido “Animal”, ele lançou inicialmente sem grande repercussão sua obra, que ganhou destaque mais de quatro décadas depois, ao ser reeditada pela Funarte, em 1978. 

Elogiado como parte de um retrato do Rio no início do século passado, além de abordar a questão musical, “O choro” passou a ser considerado um dos principais estudos sobre a evolução do choro e sua influência na vida carioca da época.

Assim, além de interpretar canções que fazem parte do livro do carteiro Animal, Pedro e os demais músicos fazem comentários e resgatem histórias que ele registrou em seus escritos. 

Por fim, Maurício Carrilho fecha o Festival de Inverno na sexta-feira tocando seu “Anuário do choro”, show temático em que toca músicas pedidas pela plateia relativas aos dias em que as compôs, no ano anterior – no caso, 2017. Para cada dia, há uma composição diferente. É isso mesmo, ele se dá o desafio de compor uma música diferente por dia, durante um ano inteiro – daí, o nome do show. 

Apesar de ser o primeiro de inverno, o festival já é o oitavo da Casa do Choro. Além dos shows com os músicos “residentes”, a cada edição, o evento recebe até cem instrumentistas de fora, inclusive estrangeiros. 

Em muitos casos sem nem se conhecerem, eles são reunidos em grupos para a prática de conjunto, cujo resultado eles têm que mostrar ao final de sua programação no festival, tocando juntos.

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Serviço 

CASA DO CHORO - Rua da Carioca, 38 - Centro; Tel.: 2242-9947. Shows sempre às 19h, no Auditório Radamés Gnatalli (120 lugares). Ingressos a R$ 40 e R$ 20). Ingressos pelo site www.ticketplanet.com.br ou no local, a partir das 17h30. Hoje: “Choro carioca – Música do Brasil”, com Cristóvão Bastos (piano), Maurício Carrilho (violão), Luciana Rabello (cavaquinho), Aquiles Moraes (trompete) e Magno Julio (percussão). Amanhã: “Baú do Animal”, com Pedro Aragão (bandolim), Ana Rabello (cavaquinho), Iuri Bittar e Marlon Júlio (violões). Sexta-feira: “Anuário do choro”, com o violonista Maurício Carrilho e convidados.