Bip Bip, clássico bar de Copacabana, comemora 50 anos com show na Sala Baden Powell

Um show que acontece hoje na Sala Baden Powell, em Copacabana, presta uma tripla homenagem ao samba. Em primeiro lugar, serão celebrados os 50 anos do Bip Bip, clássico bar de Copacabana que sedia algumas das mais populares rodas da cidade, que ganhará uma fiel reprodução no teatro. Além disso, comemoram-se também os 75 anos de seu popular e querido dono, Alfredo Jacinto Melo, mais conhecido como Alfredinho. Por fim, a reverência é para Wilson Batista, compositor cuja morte completa cinco décadas hoje. 

Estão previstas rodas de samba, choro e Bossa Nova, da entrada ao palco principal do teatro. Neste último, o ponto alto será uma roda de samba com a participação de Cristina Buarque, em interpretações de clássicos do compositor de “Acertei no milhar” e “Lenço no pescoço”, ao lado de músicos frequentadores do botequim. 

A programação começa às 19h, com uma roda de choro no hall de entrada da sala, com músicos que tocam no Bip às segundas e terças, incluindo Leandro Montovani no violão de sete cordas e Mariana Imbassahy na flauta. No mesmo horário, há uma roda de Bossa Nova no segundo andar, com músicos que se dedicam ao gênero às quartas no boteco.

Às 20h, Cristina Buarque se junta a músicos que costumam se apresentar quinta e sexta, para a homenagem a Wilson Batista. Ela diz que deve cantar cerca de oito músicas, com outras composições a encargo de outros cantores, como Ernesto Pires e Didu Nogueira. Dentre as canções, estão “Flor da Lapa”, “Lá vem o Ipanema” e “Emília”.

A cantora afirma que ia muito ao bar quando morava na rua, na década de 1980. “Sou da Velha Guarda do Bip”. Ela se lembra de um bloco de carnaval que se formou ali. 

“Ensaiávamos quase todos os dias. Não podia samba-enredo e não podia repetir música. Também não tinha instrumento de harmonia, que é pra não ter trabalho de tirar tom, acertar harmonia, fazer estrago, atrapalhar a esbórnia. Era só na batucada e na barulheira”.

A produção do show é de Paulo Figueiredo, o mesmo responsável pelas apresentações do Bip Bip em Moscou e São Petersburgo, em novembro do ano passado, durante o centenário da Revolução Russa.

Ainda em 2018 será lançada a terceira edição do livro do estabelecimento, “Um bar a serviço da alegria”, dos jornalistas Luís Pimentel e Marceu Vieira e do economista Chico Genu, com as novas crônicas escritas por frequentadores, relatando casos curiosos que aconteceram no bar.

O bar, que costuma abrir pelas 19h30 diariamente, foi fundado em 13 de dezembro 1968, no mesmo dia em que foi assinado o AI-5. Seu nome é uma homenagem ao sinal sonoro emitido pelo primeiro satélite artificial russo, o Sputinik, lançado em 1957: “bip- -bip-bip-bip”... Alfredinho comprou a casa em 1984, que, a partir daí, virou ponto de encontro para quem gosta de samba.

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SERVIÇO

Bip Bip 50 anos Sala Baden Powell. Av. Nossa Sra. de Copacabana, 360 - Copacabana; Tel.: 2547-9147. Esquenta às 19h, show às 20h. R$ 30. 16 anos.