Na exposição Celacanto, Odir Almeida revela ângulos inusitados ao fotografar ondas cariocas

Quando o público começar a chegar para a abertura da exposição “Celacanto”, de Odir Almeida, hoje, às 19h, no Oi Futuro Flamengo, já vai receber um impacto. Um vídeo será projetado no prédio vizinho e poderá ser visto antes mesmo de se entrar no prédio.  “No hall, quatro vídeos também vão mostrar imagens da exposição, depoimentos e um pequeno documentário explicando o que é o peixe celacanto, que pensava-se, até há pouco tempo, que estava extinto. Um grande painel chamado ‘Mar é nostro’ terá uma iluminação dramática, ressaltando mais ainda a imagem”, conta a curadora Maria Arlete Gonçalves, que chama a atenção para uma moldura barroca pendurada antes da Galeria 4, onde as fotos estão expostas. “Ali será exibido o vídeo ‘Transbordo’, que dá a impressão de que a água estará saindo da parede. A ideia é transmitir essa metáfora de que o mar ultrapassa qualquer fronteira”, explica. 

Fotógrafo, mergulhador e remador, Odir apresenta imagens do mar e litoral do Rio de uma perspectiva inesperada: ele costuma passar quatro, cinco horas dentro do mar, sempre depois da arrebentação, para fotografar as ondas. E o ângulo que consegue é como se fosse o de um peixe com a cabeça para fora d´água. O resultado é grandioso, onde a água, sempre em forte movimento, se agiganta para cima de prédios, pessoas e montanhas. “É na madrugada, por volta das 4h, que consigo a luz que eu gosto. E, à tarde, vêm as melhores ondas, que mais se transformam, principalmente na Praia do Diabo, onde fiz a maioria das fotos”, conta Odir. 

Todas as imagens são inéditas e foram clicadas a partir do final de 2017 exclusivamente para a exposição no Oi Futuro.  São 21 em grandes formatos que estão dispostas na galeria, de forma que dão a impressão de continuidade, com o mar como um ente vivo. “Na verdade são frames, minha inspiração é totalmente cinematográfica. Não é o mar parado nem um céu azul que eu quero, isso é careta. As nuvens têm de estar ali, pois também são água. E o que me interessa é aquela ‘lágrima’, aquele respingo que uma hora vai estourar violentamente”, conta Odir. Aliás, em suas fotos, a maioria em preto e branco, as ondas funcionam mais ou menos como as nuvens na hora de se imaginar figuras. “Essa aqui, por exemplo, é a Igreja da Penha! Aqui, uns enxergam fantasmas, outros Netuno ou até um diabo”, aponta ele, que conta que o próximo projeto é fotografar o gelo. “Vou viajar para fazer essa série. É o que me interessa: mar, água, gelo. Os bichos, eu respeito, não fotografo. Quando estou mergulhado, chegam arraias, tartaruga, cação, eles são muito curiosos, às vezes até brinco, mas nunca fotografo”, afirma. 

A exposição também traz 150 fotos que serão projetadas em looping num espaço imersivo fechado chamado “Mar em moto”. A proposta é que o visitante “mergulhe” no processo de captação de Odir. “As pessoas vão poder ficar sentadas em pufes, enquanto as fotos passam e toca a trilha sonora onde o som do mar é proeminente”, explica Maria Arlete.   

Já na próxima quarta, Odir inaugura outra exposição, esta na Galeria Arthur Fidalgo, em Copacabana. “Ela se chama ‘Tambor de vidro líquido’, com fotos inspiradas no dogma do cinema holandês e que trazem textos de Cortázar. E, daqui a alguns meses, pretendo lançar um livro, com fotos antigas também, feitas em terra, onde costumo ficar deitado, como se fosse o olhar de um morto”, compara Odir. 

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Serviço 

Celacanto - Fotogra?as de Odir Almeida. Curadoria de Maria Arlete Gonçalves. Oi Futuro Flamengo/Galeria 4 (R. Dois de Dezembro, 63 - Flamengo; Tel.: 3131-3060). Ter. a dom.,  das 11h às 2h. Abertura hoje, às 19h. Entrada franca. Até 5/8.