Confira as #dicas de discos do Caderno B

“Puber” - Compositor de inegável carisma pop, Jonas Sá explora uma sonoridade mais “orgânica” e sutil em seu terceiro CD, depois da incursão por uma vertente eletrônica e dançante no disco anterior (“Blam blam”, de 2015). Muito disso se deve à presença do trio Marcelo Callado (bateria), Ricardo Dias Gomes (teclados) e Pedro Sá (violão), os mesmos que acompanharam Caetano Veloso em sua fase roqueira da década passada. 

Há pop de inspiração retrô (“Olas de calor”, cantada em espanhol) e rock (“Share the drama”, “Mas ninguém sabe”), mas o que domina o repertório é um tom mais delicado, como o de “Trem”, “Imensidão” e  “Transamérica”. 

“Dorival” - Craques da música instrumental que dispensam apresentações, Tutty Moreno (bateria), Rodolfo Stroeter (baixo), André Mehmari (piano) e Nailor Proveta (sopros) se reúnem para reler algumas das mais conhecidas canções de Dorival Caymmi. O resultado é um brilhante exercício de Brazilian jazz, que preserva os traços familiares das composições originais e ao mesmo deixa espaço para os voos harmônicos e os solos dos músicos.

Destaque para os improvisos quase “monkianos” de Mehmari em “A vizinha do lado” e para o inspirado medley (“Suíte Caymmi”) que reúne “Morena do mar”, “Dois de fevereiro” e “Milagre”.

“Azul anil” - Goiana com mais de 20 anos de carreira, tendo se dedicado um tempo a compor trilhas de cinema, Nila Branco se situa entre o pop-rock e o estilo “MPB eclético”.  Sua interpretação vocal segura confere dignidade a canções como “Jardim da vida”, de agradável melodia pop, a balada roqueira “Eu não sei mais ficar só” e a docemente acústica “Tudo de amor que há em mim”. 

Falta um quê de originalidade nos arranjos, corretos, mas um tanto caretas. Recomendado para fãs da fase inicial de Zélia Duncan, ou a quem busca uma Ana Carolina mais sutil.