Canal Brasil reúne ?lmes do ano que não terminou

Antes de cada exibição, Rodrigo Fonseca conversa com artistas envolvidos

O ano de 1968 ficou conhecido como aquele que não terminou – tempo de revoluções  políticas, culturais e sociais que transformaram o Brasil e o mundo definitivamente. Passados 50 anos, o Canal Brasil revisita a época e exibe, a partir de 2 de julho, a “Mostra Cinema de 68”, com sete longas fundamentais para a história do cinema brasileiro – e que completam meio século de vida em 2018. 

Antes de cada sessão, que acontece sempre às segundas-feiras, às 19h30, o jornalista e crítico Rodrigo Fonseca recebe um artista envolvido na produção para uma entrevista. Os convidados incluem diretores como Sylvio Back e atores como Othon Bastos. “Criei essa mostra para investigar o que 1968 produziu de mais significativo em termos de poética de imagem, ouvindo quem fez os grandes filmes daquele ano sobre o legado que o cinema nos deixou às vésperas do AI-5. Há filmes rodados em 1968 e só exibidos naquele ano em festivais e há filmes de 1967 que entraram em cartaz a partir de janeiro de 1968, lotando salas e instigando críticos. E busquei a voz feminina de Helena Ignez para iluminar, com sua lucidez, o que foi a aspereza política do ‘ano que não acabou’. Estes sete filmes mostram porque aquela data é eterna”, explica Fonseca, que é colaborador do JORNAL DO BRASIL.

O crítico destaca a pluralidade da produção daquela época: “Até 1967, o Cinema Novo nos deu seu ouro, guardando uma joia, ‘Macunaíma’, de Joaquim Pedro, para 1969, seu derradeiro ano de glória antes da virada popularesca que nosso audiovisual assume nos anos 1970, com a pornochanchada.  Mas pouco se guarda do período do ano 1968, data-emblema quando se fala em lutas políticas e na repressão, pelo AI-5. O marco daquele ano veio do Cinema Marginal: ‘O bandido da luz vermelha’. Mas nem só de Sganzerla viveu aquele ano. Vivemos a euforia de outros grandes diretores. Alguns que se reinventavam pelo diálogo com o cinema de gênero, como Nelson Pereira dos Santos, outros que se afirmavam pela crônica de costumes, como Domingos Oliveira”. 

A questão técnica também pesou na escolha dos filmes a serem exibidos. “Alguns bons filmes ficaram fora desta primeira leva do programa, como ‘Jardins de guerra’, do mestre Neville d’Almeida, um pouco pelo cuidado em buscar produções com cópias restauradas e renovadas. Mas a ideia era mostrar um cenário que fosse além do Cinema Novo e do Cinema Marginal, incluindo recém-chegados às nossas telas naqueles dias, como Antonio Carlos da Fontoura e Sylvio Back”, justifica o jornalista.

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Serviço 

MOSTRA CINEMA DE 68 

Início: Segunda, dia 2/7, às 19h30 

Horário: Segundas, às 19h30

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RELAÇÃO DOS FILMES SELECIONADOS

O Bandido da Luz Vermelha (92 minutos). Horário: Segunda, dia 2/7, às 19h30. Classificação: 16 anos. Direção: Rogério Sganzerla. Sinopse: Livremente adaptado de uma história real, o filme conta a saga do assaltante de residências de luxo de São Paulo que ficou conhecido como Bandido da Luz Vermelha (Paulo Villaça) – uma vez que, durante os roubos, ele carregava uma lanterna vermelha. Apesar dos esforços da polícia para prendê-lo, ele circula sem problemas e acaba se envolvendo com a sensual Janete Jane (Helena Ignez). 

O bravo guerreiro (78 minutos). Horário: Segunda, dia 9/7, às 19h30. Classificação: 14 anos. Direção: Gustavo Dahl. Sinopse: Miguel Horta (Paulo Cesar Pereio), jovem deputado da oposição, decide mudar de partido para se infiltrar no governo, achando que só assim poderá ajudar na causa pública. Numa manhã, ele recebe a visita de um cabo eleitoral, que lhe alerta sobre a tentativa de alguns pelegos de derrubar a diretoria do Sindicato, tendo como motivo um projeto de lei de sua autoria. A partir disso, Miguel percebe que será preciso tomar atitudes muito mais drásticas para realizar o seu sonho.

Copacabana me engana (96 minutos). Horário: Segunda, dia 16/7, às 19h30. Classificação: 14 anos. Direção: Antônio Carlos da Fontoura. Sinopse: Um retrato da burguesia da Zona Sul carioca dos anos 1960. Marquinhos (Carlo Mossy) é um jovem alienado e ocioso, que vive em Copacabana com os pais e o irmão Hugo (Cláudio Marzo). Sem trabalhar ou estudar, está sempre envolvido em farras e bebedeiras com sua turma de amigos. Certo dia, numa lanchonete, depara-se com a vizinha Irene (Odete Lara). Os dois trocam olhares e começam a namorar, mas a mulher, bem mais experiente, logo se sente entediada com a imaturidade do rapaz e acaba se envolvendo com Alfeu (Paulo Gracindo), um ex-namorado que volta a procurá-la.

Edu, Coração de Ouro (85 minutos). Horário: Segunda, dia 23/7, às 19h30. Classificação: 12 anos. Direção: Domingos Oliveira. Sinopse: Pelas ruas de Ipanema, o simpático Edu (Paulo José) vive divertidas histórias ao se envolver com as mais diferentes mulheres. O rapaz tenta conquistar uma solitária garota, namora uma jovem vinda do interior e, por vezes, se encontra com uma ou outra moça casada. Mas, ao conhecer a misteriosa Tatiana (Leila Diniz), o galã descobre como é ser verdadeiramente fisgado.

Fome de amor (74 minutos). Horário: Segunda, dia 30/7, às 19h30. Classificação: 18 anos. Direção: Nelson Pereira dos Santos. Sinopse: Mariana (Irene Stefânia) é uma brasileira que mora em Nova York. Ela conhece Felipe (Arduíno Colassanti), também brasileiro. Eles se casam e voltam para o Brasil para viver em uma ilha. Mas ela percebe que o marido é um mentiroso quando o casal Ulla (Leila Diniz) e Alfredo (Paulo Porto) aparecem na ilha, que Felipe dizia ser sua, demonstrando serem os verdadeiros donos do lugar. Alfredo, que é cego, surdo e mudo, encanta Mariana. Até que ela suspeita que Ulla e Felipe são amantes e planejam matá-la para ficar com o seu dinheiro.

Lance Maior (98 minutos). Horário: Segunda, dia 6/8, às 19h30. Classificação: Livre. Direção: Sylvio Back. Sinopse: Mário (Reginaldo Faria), bancário e estudante universitário, enfrenta, ao mesmo tempo, uma greve no emprego, uma crise pessoal de identidade e a dúvida entre o engajamento político e a ambição. Sua vida emocional também é confusa. Ele não consegue se decidir entre duas garotas: Cristina (Regina Duarte), rica, feliz, liberal e a comerciária e militante política ou Neusa (Irene Stefânia), sensual, mas inexperiente, cujo maior desejo é escapar da condição humilde da sua família. Os três, típicos representantes de uma inquieta juventude, buscam seu lugar ao sol, armando um jogo diabólico no qual as peças são seus corpos, ansiosos por amor e aventura.

Capitu (104 minutos). Horário: Segunda, dia 13/8, às 19h30. Classificação: Livre. Direção: Paulo Cézar Saraceni. Sinopse: Namorados desde a infância, Bentinho (Othon Bastos) e Capitulina (Isabella Campos) levam uma vida tranquila depois de casados. Eles têm poucos amigos próximos, e apenas Ezequiel Escobar (Raul Cortez) e sua mulher, Sancha (Marília Carneiro). Com o tempo, no entanto, Bentinho começa a desconfiar da postura e da amada Capitu com o amigo. Mesmo assim, quando o filho do casal nasce, recebe o nome de Escobar. Após a morte de Escobar, a situação piora e Bentinho vê no filho os traços do amigo morto.