Campanella volta ao set com ‘Las comadrejas’

Oscarizado cineasta argentino prepara comédia sobre mesquinharia

Chegaram ao fim os boatos de que Juan José Campanella havia desistido de fazer cinema: os sets de seu novo longa-metragem, “Las comadrejas”, estão a todo vapor em Domselaar, uma cidadezinha de 2,4 mil habitantes, a Leste de Buenos Aires. Desde 2013, sua criatividade estava estacionada na garagem das emissoras de televisão dos Estados Unidos. 

Seu cacife por lá subiu por conta de um projeto pessoal iniciado há dez anos, cravados no calendário cinematográfico argentino. Em 2008, ele iniciou as filmagens de um thriller de tom político que imortalizaria seu nome no imaginário de seu país, e no de Hollywood, pelo brilho do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro que repousa em sua estante: “O segredo dos seus olhos”. 

De lá para cá, ele seguiu a vida nos EUA, onde trabalha desde 1988. Passou quase a década toda rodando episódios para séries de TV (como as recentes “Colony” e “Halt and catch fire”), tendo dirigido só mais um filme: a animação “Um time show de bola” (2013). Desde então, nada de longas inéditos... até agora, em que o cineasta de 58 anos se encontra com dois mitos das telas da Argentina a seu lado: Graciela Borges (de “O pântano”) e Oscar Martínez (premiado no Festival de Veneza de 2016 por “O cidadão ilustre”). 

Com toques de humor negro, “Las comadrejas” é um remake de um cult de 1976, dirigido por José Martínez Suárez, chamado “Los muchachos de antes no usaban arsénico”: “Este talvez seja o filme argentino mais engenhoso dos últimos 50 anos. Mas teve o infortúnio de ser lançado em meio a um golpe militar em nossas terras”, disse Campanella à imprensa de sua pátria. “Meu cuidado nessa refilmagem é não cair em armadilhas de representação de gênero, em machismos”. 

Na trama original de “Las comadrejas”, uma veterana atriz (Graciela), há tempos sumida das telas e dos palcos, decide vender um casarão onde vive com três homens: seu marido, seu médico particular e seu contador. A venda do imóvel gera nesses homens, que dependem dela para viver, uma insegurança acerca do futuro. 

A fim de preservarem seu teto, eles inventam planos estapafúrdios para matar a veterana estrela e ficar com a mansão (a locação usada para reproduzi-la é um castelo do século XVIII preservado em Domselaar). Ainda não se sabe de Ricardo Darín, melhor amigo e ator-assinatura do cineasta, estará no projeto. Juntos, eles fizeram sucessos como “O filho da noiva” (2001), também indicado ao Oscar, e o cult “O clube da lua” (2004), que ficou meses a fio em cartaz no Brasil.

*Roteirista e presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio (ACCRJ)