'O Grande Circo Místico' abre 46ª edição do Festival de Cinema de Gramado

Mais popular de todos os festivais brasileiros, realizado anualmente em agosto, na serra gaúcha, Gramado escolheu “O Grande Circo Místico”, que Cacá Diegues lançou mundialmente em Cannes, há um mês, para ser o filme de abertura de sua 46ª edição. De 17 e 25 de agosto, o evento do interior do Rio Grande do Sul vai exibir pelo menos 14 longas-metragens latino-americanos inéditos, dos quais sete são brasileiros e sete são de origem hispânica. E todos concorrem ao troféu Kikito. 

Diegues entra nessa maratona em uma projeção hors-concours. Baseado na obra poética de Jorge de Lima (1893-1953), o novo longa do realizador de “Bye, bye, Brasil” (1979) chegou a ser classificado como obra-prima em sua passagem pela Croisette. Sua trama recria um século na vida de uma trupe circense cujo mestre de cerimônias, Celavi (vivido por Jesuíta Barbosa), nunca envelhece. O astro francês Vincent Cassel integra o elenco desta superprodução entre Brasil, França e Portugal, prevista para estrear comercialmente no dia 6 de setembro. O elenco inclui nomes famosos como Antonio Fagundes, Mariana Ximenes, Bruna Linzmeyer e Juliano Cazarré. 

“Devo o clima do ‘Circo’ a Jorge de Lima, poeta que me inspirou por toda a vida. Não usei apenas o poema que dá título ao filme, no roteiro, mas também pequenas citações de outras obras desse grande autor. Dividi, portanto, o filme com Jorge de Lima, corresponsável pela lírica desse projeto”, disse Cacá ao JB, na finalização do projeto.   

Estima-se que Gramado terá em sua competição brasileira destaques do Festival de Sundance (nos EUA) como “Benzinho”, de Gustavo Pizzi, e “Ferrugem”, de Aly Muritiba. Especula-se ainda que a produção paraguaia “Las herederas”, de Marcelo Martinessi, laureada com o Urso de Prata de Melhor Atriz (dado a Ana Brun) e o troféu Albert Bauer (de invenção de linguagem) no Festival de Berlim, concorra entre os títulos da safra gramadense de estrangeiros. Com CEP gaúcho, o desenho animado “A cidade dos piratas”, de Otto Guerra (baseado nas HQs da cartunista trans Laerte), também deve estrear lá, na disputa pelo KIkito. Cogita-se também a participação da comédia de tons sociais “Correndo atrás”, de Jeferson De, e do drama com Marieta Severo “A voz do silêncio”, uma produção de André Ristum que, atualmente, lota salas de cinema na Argentina. 

*Roteirista e presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio (ACCRJ)