Geraldo Azevedo volta ao Rio para o tradicional Arraiá no Circo Voador

Se tem muito tempo que Geraldo Azevedo não lança um disco, a agenda de shows do cantor e compositor, em compensação, não pára. Depois de rodar o Nordeste com shows em festas juninas, ele volta ao Rio para fazer o tradicional Arraiá no Circo Voador hoje e amanhã. “Cheguei quarta-feira da turnê junina, uma verdadeira maratona: Alagoas, Sergipe, Bahia, Pernambuco... E cheio de expectativa já que, pela primeira vez, em dez anos de Arraiá, vou fazer dois dias de apresentações”, conta ele. Depois, Geraldo ainda volta para algumas apresentações no Nordeste e embarca para Portugal, ao lado de Alceu Valença e Elba Ramalho para shows do projeto “O grande encontro”,  em Lisboa e Porto. “Vamos lançar o álbum dos 20 anos do Encontro lá - que na verdade já estamos tanto tempo na estrada que já são 22...”, brinca.

Mesmo o mercado musical tendo mudado há décadas - “Quando cheguei no Rio nos anos 1970, convidado por Eliana Pittman, a gente fazia temporadas de duas semanas. Lembro de shows que ficavam meses em cartaz, como o ‘Gal Tropical’, no Teatro Clara Nunes”, destaca - as apresentações de Geraldo invariavelmente têm casas lotadas. Em março, seu show de voz e violão no Teatro Riachuelo, no Centro, esgotou com tanta antecedência que a casa abriu uma segunda noite. “Os musicais ainda resistem em ficar semanas em cartaz, mas show é mais difícil. Nossa cultura, tão forte e rica, ficou aleatória, só se valoriza o vulgar. Eu não sei nenhuma música do Wesley Safadão, mas continuo sabendo várias de Cartola”, diz. E lamenta que muitas prefeituras nordestinas priorizem artistas que estão na mídia para incluí-los na programação. “É realmente uma questão política. Vemos isso em Caruaru, Campina Grande, que recebem muitos artistas sertanejos. Em Pernambuco, transformaram o carnaval em multicultural e deixaram de lado o tradicional. Esse ano tirei um dia para ir ao Marco Zero, principal polo de shows  do Recife, e tinha um show de rock! Pensei que estivesse em um festival”, comenta, sem perder o bom humor: “A gente continua na insistência e na resistência!”.    

Além de ter dois dias de show pela primeira vez, o Arraiá traz outra novidade: a participação de dois convidados por dia, Xangai e Emanuelle Araújo hoje e  Pedro Luís e Mariana Aydar amanhã. “O repertório só muda do que eu apresento no Nordeste por conta deles, que escolheram algumas músicas para cantar. Nunca me apresentei com a Mariana, mas já cantei com Emanuelle, dei canja no Monobloco e, com Xangai, temos uma integração de décadas. Inclusive, o público cobra demais nosso show ‘Cantoria’, mas é difícil trabalhar com o Vital e Elomar, eles não aceitam nem ver TV!”, diverte-se.  

Apesar de ter um punhado de músicas inéditas, algumas já tocadas nos arraiás anteriores, Geraldo despista e diz: “Como minha parte vai diminuir, porque cada convidado deve cantar duas ou três músicas”, ele optou apenas pelos clássicos. “Sabor colorido”, “Tempero do forró”, “Chorando e cantando” são alguns deles, que entram ao lado de músicas de Luiz Gonzaga, Marinês e Jackson do Pandeiro. “Que importância incrível eles têm para a música brasileira! Gravei com Gonzagão, Marinês cantou músicas minhas e fiz shows com Jackson. Considero um privilégio poder ter convivido com meus ídolos”, diz, satisfeito. 

SERVIÇO

Arraiá do Circo Voador - Show com Geraldo Azevedo. Circo Voador (R. dos Arcos s/n - Tel.: 2533-0354). Hoje (participações de Emanuelle Araújo e Xangai) e sáb. (Mariana Aydar e Pedro Luís), às 22h. R$ 60 (com 1kg de alimento).