Artesanato e conceito guiam os jovens profissionais

O design baseado na herança modernista não é a regra entre os objetos expostos na Made 2018. Há, claro, exemplos dos seguidores dessa escola - entre eles o designer Giácomo Tomazzi, cuja poltrona Bo revela pelo nome a influência do mobiliário de Lina Bo Bardi. Detalhe pós-moderno, a almofada de pele de ovelha constitui um apêndice humorado que quebra o rigor geométrico da poltrona em estrutura metálica.

A lã de ovelha feltrada foi usada pela gaúcha Inês Schertel em seu banco Porva. São quatro mantas sobrepostas que podem transformar o aspecto morfológico do banco quando a superior é enrolada na direção dos apoios de madeira do banco. Esse aspecto artesanal é dominante em boa parte das obras feitas por designers preocupados com o desenho autoral.

O conceito, aliado ao uso de materiais pouco convencionais, guia o trabalho de muitos designers, caso de Bárbara Meirelles, Diego Garavinni e Mikael Dutra, do Cultivado em Casa, que assinam o projeto da poltrona Super Jardim, que usa 200 m de mangueira de PVC flexível no lugar do estofado. Curiosamente, o projeto da cadeira Corradin faz uma remissão à pioneira obra conceitual do artista norte-americano Joseph Kosuth, que, em 1965, expôs uma cadeira ao lado da foto da mesma cadeira e uma descrição dela na parede, que lidava simultaneamente com a ideia física, a representação e sua correspondência verbal (Corradin troca a foto pela tela que deu origem à cadeira com seu nome).

O conceito guia igualmente a confecção das poltronas e objetos expostos na Mameluca, resultantes de uma abordagem das pulsões classificadas por Freud no século passado. A coleção Libido mexe com os sentidos do espectador um pouco à maneira dos surrealistas - em particular o sofá que reproduz os lábios da atriz norte-americana Mae West, de Dalí, evidente fonte de inspiração daquele que a Mameluca mostra na Made.

Vale destacar ainda a dedicação de jovens designers à marcenaria, como a dupla Richard Nascimento e Kati Takahashi, designers do estúdio Rika, que produziram a bela poltrona Ruptura com assento de madeira naval.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.