'Um espetáculo trágico de ação e lucidez', destaca crítica sobre 'Sicário: Dia do soldado'

Orçado em US$ 30 milhões, “Sicário” (2015) foi concebido como um atestado de talento para Hollywood checar se o cineasta canadense Denis Villeneuve estava apto, ou não, a pilotar projetos de peso, como os irretocáveis “A chegada” (2016) e “Blade runner 2049” (2017). Porém, o que surgiu só como um teste, rendeu frutos impensáveis: uma bilheteria de US$ 84 milhões, três indicações ao Oscar e uma vaga na disputa pela Palma de Ouro de Cannes. Do somatório desses dividendos nasceu uma franquia. 

A parte dois - “Dia do soldado” -, pilotada pelo italiano Stefano Sollima (das séries de TV “Romanzo criminale” e “Gomorra”), é tão engenhosa narrativamente quanto o original. A manutenção de Taylor Sheridan (um dos maiores roteiristas dos EUA hoje), no comando do script, preservou o vigor do nº 1. 

Perde-se um pouco na troca de fotógrafo (sai o mago Roger Deakins, entra Dariusz Wolski, mais seco), porém as cenas de ação seguem tensas, dirigidas com virtuosismo. Há, agora, mais humanidade no agente Matt (Josh Brolin, contagiante), operativo da CIA que manipula quem pode a fim de combater os cartéis do México. Benicio Del Toro segue monumental na pele de Alejandro, um vingador por quem Matt tem respeito. Sollima dá ao longa-metragem tons de espetáculo, mas mantém o tônus trágico – e político - do filme anterior sobre a chaga do narcotráfico.

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SICÁRIO: DIA DO SOLDADO: **** (Muito Bom)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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