‘Sessão da tarde’ à francesa, destaca crítica sobre '50 são os novos 30'

Sabe aquele gostinho de “primeira vez” que filmes padrão “Sessão da tarde”, açucarados com o mel da simplicidade - tipo “Um lugar chamado Notting Hill” ou “Olha quem está falando” -, deixam na gente, tornando irresistível vê-los de novo? “50 são os novos 30” tem esse sabor, só que potencializado por especiarias francesas, somadas ao uso de Amália Rodrigues e de Julio Iglesias na jukebox de sua trilha musical. Vista por uns 720 mil pagantes na França menos de um mês após sua estreia, esta crocante produção, estrelada e dirigida por Valérie Lemercier, foi um dos achados do Festival Varilux. 

Com diálogos ferinos sobre idiossincrasias da vida em família, seu roteiro se alinha com a tradição das comédias românticas, antenado com um dos fenômenos culturais da vez – o regresso de filhos 50ões à casa dos pais. O título original, “Marie-Francine”, é o nome da protagonista, bioquímica que perde o emprego após ser chutada pelo marido (Denis Podalydès). Ao se mudar para o lar onde nasceu, ela começa uma nova vida, vendendo cigarros eletrônicos, e engata um flerte com um cozinheiro português, Miguel (Patrick Timsit), também alquebrado por dilemas do querer. O duo Valérie e Timsit é um charme só e a montagem valoriza piadas e situações cômicas mais físicas entre eles. Eis um vaudeville nos nossos dias. Dos bons. 

*Roteirista e presidente da Associação Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ)

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50 SÃO OS NOVOS 30: *** (Bom)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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