Plebe Rude: Os primórdios do rock nacional

“Foi a ressonância daquela turma de Brasília que deu seriedade ao rock brasileiro”. O guitarrista e vocalista Philippe Seabra se refere às bandas que surgiram nos anos 1980 na capital brasileira, como a sua Plebe Rude, que estará hoje no palco do Circo Voador. O show “Primórdios” é baseado no recém-lançado disco, que tem músicas do período entre 1981 e 1983, inéditas e já gravadas. Um trabalho que mostra a coerência musical e ideológica mantida há 37 anos. “É a história de quem nunca se rendeu ao mercado. Isso teve um preço, mas foi uma decisão consciente. Afinal, vale a pena ter princípios num país com tantos maus exemplos”, diz Philippe, lembrando que este repertório reflete a proximidade que os integrantes tinham com o poder. “Acho que isso nos permitiu observar as coisas de outro ângulo e com mais lucidez. Como artista, fico feliz com esse legado, mas como cidadão e pai - tenho um filho de seis anos, é muito triste, parece que nada mudou neste País”, lamenta.

A ideia do disco veio quando o vocalista leu a biografia “Meninos em fúria”, de Clemente, vocalista e guitarrista que entrou para a banda em 2003 no lugar de Jander Bilaphra. “Ali me toquei que eu tinha de escrever minhas histórias, mesmo porque sou o único com a memória intacta... sempre fui caretão”, brinca. Philippe diz que o livro já está 80% escrito e deve ser lançado no final do ano.

Pesquisando com o baixista André X músicas do início de carreira, eles incluíram nove faixas inéditas no DVD, como “Cavalaria rusticana’, “Disco em Moscou”, “Ditador”, “Gritos no escuro” e algumas que foram gravadas em “O concreto já rachou” e “Nunca fomos tão brasileiros”, como “Sexo e karatê” e “Censura”. O disco traz ainda a sugestiva “Vote em branco”: “Foi por causa dela que fomos presos em Patos de Minas com a Legião Urbana, que, por sua vez, foi presa por causa de “Música urbana”, lembra do episódio de 1982 em Minas Gerais. 

Philippe conta que o DVD traz várias histórias da Plebe, como o encontro deles com Clemente, muito antes do então vocalista dos Inocentes sonhar em integrar a Plebe. “Clemente foi o primeiro punk de verdade que conhecemos. Foi ele quem nos buscou na rodoviária na primeira ida a São Paulo e, quando nos viu, pensou: ‘Esses são os punks de Brasília? Não vão durar um dia aqui’”, diverte-se. 

“Primórdios” é o primeiro trabalho da Plebe lançado em streaming - CD e DVD saem em breve. “Quando lembro que ‘O concreto já rachou’ foi gravado em 16 canais... Sou old shool, tenho um estúdio e sempre digo que só preciso de um violão, um bloco e um lápis para compor”, afirma. 

Enquanto roda por várias cidades com a turnê, a Plebe já começa a preparar um disco de inéditas e a pensar em outro, um acústico só com “lados B”: “Outro projeto se chama ‘Plebeus’, com artistas fazendo releituras de nossas músicas. Guilherme Arantes está querendo participar, pensamos em Paralamas, Skank, Nação Zumbi e Autoramas. Adoraria que Seu Jorge  cantasse ‘Bravo mundo novo’”.

Serviço

Plebe Rude - Lançamento do disco “Primórdios”. Abertura de Zero e, nos intervalos, DJ José Roberto Mahr. Circo Voador (Rua dos Arcos s/n - Tel.: 2533-0354). Sáb., às 22h. R$ 50 (com 1kg de alimento)