Sesc EntreDança apresenta repertórios plurais em junho

O movimento entra na ordem do dia no vaivém da cidade em junho. Durante um mês o Sesc EntreDança apresenta repertórios plurais através da exibição de coreografias, aulas e debates com artistas de oito companhias em atividade no Brasil.  

A programação terá ênfase no Teatro Sesc Ginástico e no Sesc Copacabana, mas também atravessará as unidades de São João de Meriti, São Gonçalo e Nova Iguaçu. 

O carro-chefe da agenda é o vibrante “Lub dub”, do Balé Teatro Castro Alves (BTCA), da Bahia, primeiro grupo de dança brasileira do Norte e Nordeste, fundado há 37 anos - e que não vem ano Rio há pelo menos 20. Será apresentado a partir de 7 de junho no Teatro Sesc Ginástico. A criação é assinada pelo coreógrafo sul-coreano Jae Duk Kim. No palco, o pai de santo e ex-bailarino do grupo Gilmar Sampaio canta a trilha que traz elementos de capoeira e candomblé. 

O EntreDança também apresentará a Cia de Dança Siameses, Projeto Mov_Ola e Elisa Ohtake, de São Paulo, além da Companhia Ballet da Cidade de Niterói, Cia Híbrida, Os Dois Cia de Dança e Márcio Cunha, do Rio. 

Síntese do país que dança 

De 7 de junho a 8 de julho o Sesc EntreDança promoverá espetáculos sob o signo da diversidade. “Trazemos diferentes territórios do Brasil para o projeto, uma mirada do que se produz em dança em todo o país, ressaltando particularidades e alguns destaques, principalmente da área de performance, de forma muito rica e criativa”, pontua André Gracindo, responsável pela curadoria com Christine Braga e Fabiana Vilar. 

Segundo ele, um ganho em relação às edições anteriores é a ampliação do projeto para unidades fora do eixo Centro-Zona Sul. “Agora também aproximamos as escolas e faculdades de dança da programação, convidando profissionais de instituições como o Escola Angel Vianna, o Departamento de Arte Corporal da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Licenciatura de Dança da Universidade Candido Mendes. Sempre com o objetivo de discutir também os processos de trabalho e abrir para o público esses painéis com o objetivo de atuar na formação de plateia para o setor”, diz. 

Nos dias 12 e 13, 19 e 20 de junho no Teatro de Arena do Sesc de Copacabana, das 15h às 21h, acontecerá o encontro entre teóricos, professores e artistas, com o objetivo de apresentar a produção de núcleos de pesquisa acadêmica, além de solos e outros trabalhos, criando um território de interlocução entre as experiências no campo da dança. 

Os temas são “Corpo cênico, corpo poético e corpo exposto” (12/6), “História, memória e dança” (13/6), “Dança e educação” (19/6) e  “Poéticas identitárias” (20/6). Os workshops previstos são: “Artes do corpo”, com o  Balé do Teatro Castro Alves (BA), dias 8 e 9, com Tutto Gomes e Leandro de Oliveira; “Objeto-partner”, com Giselda Fernandes, d’Os Dois Cia de dança, dias 15 e 16;  “Danças urbanas”, com a Cia Híbrida, dias 22 e 23; e “O corpo simbólico”, com Márcio Cunha, dias 29 e 30. Todos sempre das 12h30 às 14h30 na Sala Arpoador do Sesc Copacabana. 

Diretor artístico do Balé Teatro Castro Alves, Antrifo Sanches está há quatro anos no cargo e foi dele a ideia de convidar Jae Duk Kim. O criador da Coreia do Sul aceitou de primeira o convite para aproximar referências de sua cultura àquelas do Candomblé e da capoeira. “Vi uma apresentação da companhia dele e fiquei impressionado com as possibilidades utilizadas na cena. Além disso, na Coreia do Sul, a música percussiva é muito interessante”, conta. 

A ideia foi abordar metaforicamente as batidas do coração - na medicina universal, as palavras lub e dub designam o som,  como percussão do corpo que luta, que convive em sociedade, que medita e que protesta. A performance vocal de Gilmar Sampaio embala os passos do elenco que conta com bailarinos de 25 a 56 anos.

Neta de Tomie, Elisa Ohtake participa do EntreDança pela segunda vez. De 5 a 8 de julho, ocupará o mezanino do Sesc Copacabana com o projeto “Tira meu fôlego”, em que convida cinco intérpretes a fazerem uma performance. Ela é o sexto elemento em cena. O grupo pode interagir, mas sobretudo fará solos a partir da provocação da diretora. “Desafiei bailarinos de São Paulo a desenvolverem obras em que tentassem provar que estão apaixonados”, conta. 

Para compor o discurso estético, Cristian Duarte, Eduardo Fukushima, Raul Rachou, Rodrigo Andreolli e Sheila Arêas contam com produtos doces ou quentes, que são utilizados para compor as apresentações. Como mel, pimenta, fogo e açúcar colorido. “A dança contemporânea não vem muito da emoção ultimamente, por isso esse desafio. A ideia é mostrar a paixão por dois filtros, um inserido na espetacularização, aspecto privilegiado na propaganda, e aquele da emoção autêntica. Os bailarinos oscilam entre a paixão espetacularizada e a paixão realmente prensada no corpo”, explica Elisa. 

A programação vai contar com mais de 100 profissionais envolvidos com atividades ligadas ao território da dança.  Além de Elisa Ohtake, de São Paulo vem também o Projeto Mov_Ola, de Alex Soares, e a Companhia de Dança Siameses, dirigida por Maurício de Oliveira. Soares, coreógrafo e videomaker, dá continuidade à pesquisa para integrar a dança a outros formatos, sobretudo o audiovisual e o digital. O filme “Janela indiscreta”, de Alfred Hitchcock, é referência para o espetáculo “Devolve 2 horas da minha vida”, que convida o público a usar o telefone celular durante a apresentação para criar analogias e indagações sobre a influência da tecnologia no cotidiano. 

Nada menos que um aplicativo concebido pelo coreógrafo promove a interatividade entre o palco e os espectadores. Dividido em três atos, com pausas para selfies, é com esse olhar para nosso tempo que se procura um diálogo com o cinema: as várias cenas que compõem o espetáculo propõem que a plateia faça observações de “uma janela virtual nada animadora”, na definição do coreógrafo. O espetáculo estreou em 2016 e, no mesmo ano, foi vencedor dos Prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte e do Júri Guia Folha de SP, ambos como melhor espetáculo de dança. 

A Companhia de Dança Siameses, também de São Paulo, irá apresentar as coreografias “D.G.L.O Vol II”, “Jardim noturno” e “Rubedo”. O Rio se integra ao festival através dos espetáculos de Márcio Cunha (“Rosário”), da Cia Ballet da Cidade de Niterói (“O instante do aquilo”), da Cia Híbrida (“Ininterrupto”) e d’Os Dois Cia de Dança “Castelos e redes: estamos em obras”).