Parceria entre Brasil e Portugal, “Diamantino”, pode sair de Cannes com mais um prêmio

Laureada com o Grand Prix da Semana da Crítica por “Diamantino”, uma quase comédia sobre a delirante jornada de um craque lusitano, a parceria de coprodução entre Brasil e Portugal pode sair hoje de Cannes com mais um prêmio, e um com ainda mais peso estético - no que depender do júri da mostra Un Certain Regard, chefiado pelo ator Benicio Del Toro. Nosso candidato é “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, um experimento poético nas raias da metafísica ao falar sobre o conceito de permanência entre os índios Krahô. 

O longa foi rodado pela paulista Renée Nader Messora e pelo lisboeta João Salaviza em terras do Tocantins, em película 16mm. Em sua projeção, na noite de quarta, eles e sua equipe fizeram um protesto nas escadarias do Palais des Festival em prol da demarcação das terras indígenas e do fim dos etnocídios. “Nossa ideia era fazer de ‘Chuva...’ um filme sobre as transformações de uma espécie, como a dos Krahô, a partir da ficção”, disse Renée. 

A partir de uma delicadíssima construção visual, pautada por uma aproximação suave entre a câmera e os corpos dos índios, ela e Salaviza acompanham a luta do jovem Ihjãc (papel dado a Henrique Ihjãc Krahô) para lidar com um ritual funeral. É um filme filosófico, de ritmo lento, mas de uma beleza plástica arrebatadora, que abre uma cultura distante para as plateias de Cannes. 

Este ano, um outro longa nacional sobre índios, o documentário “Ex-pajé”, de Luiz Bolognesi, foi premiado com uma menção honrosa no Festival de Berlim.