Cannes: 'Capharnaüm', de Nadine Labaki, é favorito a Palma de Ouro

Acerca de favoritismos em relação à disputa pela Palma, tudo apontava para a vitória de Spike Lee, com o thriller “BlackKklansman”, até a tarde de ontem, quando Nadine Labaki, atriz e cineasta libanesa de 44 anos fez a Croisette em massa chorar com o doído “Capharnaüm”. Há uma cobrança antiga na cidade contra o fato de só uma mulher ter conquistado a Palma em 71 anos: Jane Campion, da Nova Zelândia, por “O piano”, em 1992. 

Nadine pode ser a segunda com a história de um guri de 12 anos, paupérrimo, que resolve processar seus pais. A queixa: “Eles me deram à vida e não cuidaram de mim”. Faltam três ? lmes, que serão exibidos hoje: “Un couteau dans le coeur”, de Yann Gonzalez (França); “Ayka”, de Sergey Dvortsevoy (Rússia); e “Wild pear tree”, de Nuri Bild Ceylan (Turquia). Cannes termina neste sábado. 

Por sua vez, a Quinzena de Realizadores de Cannes termina hoje, véspera do encerramento do festival. Entre seus longas, o melhor ? Filme exibido veio do Japão, o desenho animado “Mirai”, de Mamoru Hosoda, cuja direção de arte é uma aula de uso de cores. Elogiada por sua originalidade, uma vez que tem uma das tramas mais inusitadas de Cannes este ano, esta animação de 1h38 é uma aula de psicanálise para todas as idades. Seu protagonista, o fofucho Kun, é um guri de 4 anos, louco por trenzinhos, que acaba de ganhar uma irmã. Antes, os pais viviam para ele. Agora, não mais: Mirai requer atenção. 

Com ódio, ele pragueja contra ela e a família e se esconde no jardim, onde esbarra com uma estranha criatura, que diz ser um príncipe, mas, na verdade, é o cãozinho dele materializado como gente. Desse mágico encontro em diante, Kun vai saltar no tempo, entre seus afazeres na creche e o jantar, encontrando uma versão criança de sua mãe e a versão adolescente de Mirai.