Prêmio festeja Amir Haddad

APTR realizará campanha Teatro para Todos com ingressos promocionais em junho

Discursos inspirados, sempre pedindo resistência, permearam a entrega do 12º Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro), na noite de quarta-feira no eatro Net Rio, em Copacabana. O homenageado Amir Haddad festejou e foi muito festejado pelos 60 anos de carreira e 80 de vida, fazendo um verdadeiro carnaval com o seu grupo Tá Na Rua no palco.

Eduardo Barata, presidente da associação, lembrou os 15 anos de história da entidade na abertura da cerimônia. Um balanço foi projetado num telão, informando conquistas como a campanha Teatro para Todos, que, desde 2003, contou com a participação de 722 espetáculos em 14 edições consecutivas, exceto a de 2017, por falta de patrocínio.

Para superar a crise de público atual, Barata anunciou que a campanha será mensal, por toda a cidade. O projeto está sendo formatado pela atriz e produtora Marta Paret. Os ingressos serão vendidos a preços promocionais a partir de junho. Tudo pela resistência à crise do Estado falido e município com agenda rara, que não pagou o Edital de Fomento em 2016, deixando muitos artistas pendurados em compromissos assumidos.

No divertido tributo a Amir Haddad, os integrantes do grupo Teatro Universitário Carioca, que ele dirigiu e do qual Renata Sorrah - apresentadora da cerimônia ao lado de Jonathan Azevedo - fez parte, estavam lá. Amir ressaltou: “Ainda bem que esta homenagem veio agora. Antes tarde do que mais tarde. Mais um pouco e seria uma homenagem póstuma”.

De azul cintilante, foi levado ao palco por um cortejo tropicalista. “Em um momento de tantas ameaças ao teatro e dos encarceramentos dos habitantes, é preciso marcar que nós, os artistas, fazemos a Nação, a manutenção do afeto. Ou nos salvamos todos ou estaremos todos fodidos. Faço teatro porque é liberdade”, declarou.

Eleito melhor espetáculo de 2017, “Tom na fazenda” reuniu a equipe no palco e o ator e produtor Armando Babaio  dedicou a conquista à estudante universitária trans Matheusa Passarelli, que foi assassinada no nal de abril. A consagrada Guida Vianna, vencedora na categoria Melhor atriz protagonista por “Agosto”, ao receber o prêmio, provocou: “Gostaria de aproveitar que a representante está presente e pedir que o Itaú Cultural lance um edital de fomento no Rio e abra um centro cultural na cidade. Fala com a Dona Milu Villela, por favor”, disse, arrancando aplausos e risos da plateia.

Ela reestreia hoje a peça de Tracy Letts, dirigida por André Paes Leme, no Teatro Carlos Gomes, no Centro. “Sempre lembro de uma frase do Amir: o teatro é uma grande mentira, que precisa de grande verdade para ser dita. Agradeço imensamente estar vivendo este momento, não consigo imaginar quando irá se repetir”. 

Ary Fontoura foi eleito Melhor ator protagonista pelo espetáculo “Num lago dourado”. “Hoje, especicamente, se completam 70 anos do dia em que decidi ser ator. Me disseram que a prossão não existia. Sou testemunha viva que existirá para sempre. O teatro merece da gente resistência. Continuarei até o último momento”, disse Ary. Veríssimo Júnior, diretor e fundador do grupo Teatro na Laje, agradeceu o troféu na categoria especial – que disputou com respeitados prossionais das artes cênicas. 

Ele destacou que, enquanto os teatros viram igreja em boa parte da cidade, na Vila Cruzeiro ele - “macumbeiro, lho de Oxum com Oxalá” - está transformando uma igreja em teatro. Em quatro das 13 categorias, o prêmio teve empate: música para Alfredo Del Penho, Beto Lemos e Chico César por “Suassuna - O auto do Reino do Sol” e João Callado por “Zeca Pagodinho - Uma história de amor ao samba”; iluminação para Adriana Ortiz por “Monólogo público” e Paulo César Medeiros por “O jornal”; ator coadjuvante para Claudio Mendes por “Agosto” e Fábio Enriquez por “Suassuna - O auto do Reino do Sol”; atriz coadjuvante para Letícia Isnard por “Agosto” e Lisa Eiras por “Hamlet”.