Coleção da Cobogó trata de importantes álbuns musicais, e já colocou 15 títulos no mercado

Uma grande sacada. Os escritores e pesquisadores Mauro Gaspar e Fred Coelho procuraram Isabel Diegues, diretora editorial da Cobogó, com uma ideia: lançar uma coleção de livros contando, em detalhes, como alguns discos nasceram. Os dois sugeriram a compra dos direitos de títulos da coleção inglesa “33 1/3”, da editora Bloomsbury — que adotou esse formato, o de cada livro tratar de um grande disco — e, a partir daí, encomendaram a brasileiros obras sobre álbuns nacionais.

A ideia avançou e a coleção “O livro do disco” ganhou as livrarias. Um sucesso que já rendeu 15 títulos e que informa ao leitor como grandes álbuns foram concebidos, gravados, mixados, o conceito das capas, as composições, com a narrativa de um seleto leque de especialistas que escreveram sobre o lendário “Electric Ladyland” de Jimi Hendrix, “In Utero”, do Nirvana,“A tábua de esmeralda”, de Jorge Ben Jor, e “Estudando o samba”, de Tom Zé.

O último lançamento foi Gilberto Gil – “Refavela”, de Maurício Barros de Castro, 40 anos após o lançamento do álbum. Isabel Diegues diz que “foi incrível participar de toda a comemoração e debates sobre este disco histórico, que se mantém tão atual”. Os próximos serão “Clube da Esquina”, de Paulo Th iago de Mello, e “Tropicália ou Panis et circencis”, de Pedro Duarte. Mais adiante, o destaque será “Low”, álbum definitivo na trajetória de David Bowie. “Os livros são muito diversos, não apenas porque os discos de que tratam são diferentes entre si, mas também por conta da abordagem de cada autor. 

A coleção tem esse caminho, cabem muitas escritas diferentes, e os leitores em geral são amantes de música ou apenas daquele disco de que o livro trata. Nos pareceu fazer todo o sentido mergulharmos em discos clássicos brasileiros de todos os tempos”, explica Isabel. Ela destaca que a coleção conquistou, também, um outro perfil de leitor que está interessado no contexto cultural, político ou estético de determinado período da história do Brasil ou do mundo, uma vez que muitos dos livros abrangem uma reflexão sobre o contexto em que os discos foram feitos. Entre outros fatores determinantes para o nascimento da vitoriosa coleção está o fato de, no Brasil, existirem muitos livros dedicados à música popular e uma lacuna incompreensível de títulos dedicados exclusivamente aos nossos grandes discos. “O livro do disco” chegou para ocupar este vácuo. A diretora editorial da Cobogó 

explica que “O livro do disco” traz abordagens profundas de álbuns que, de uma maneira ou de outra, quebraram barreiras, abriram novas searas, definiram paradigmas. “Dos mais conhecidos aos mais obscuros, o importante é a representatividade e a força do seu impacto na música. E em nós! Desse modo, os autores da coleção são das mais diferentes formações e gerações, escrevendo livremente sobre álbuns que têm relação íntima com sua biografia ou seu interesse por música”, comenta. 

Abordada sobre as razões de os livros eletrônicos não terem atingido o grande público, no Brasil e no mundo, Isabel acha que eles são ótimos para alguns tipos de leitura. “Imagina a obra completa de Freud podendo ser consultada num dispositivo levíssimo, de poucas gramas, em qualquer lugar que a pessoa esteja. Mas, para ler com prazer, os de papel são o melhor dispositivo, uma tecnologia incrível que ainda não foi superada.” 

E como anda o mercado brasileiro de livros? “Em meio a essa crise que vivemos, crise política, de identidade, econômica, os livros não poderiam passar incólumes, mas o mercado vai se ajeitando e encontra seus modos de seguir. Precisamos dos livros, precisamos seguir vivendo, precisamos seguir pensando, nos divertindo, aprendendo, construindo. E o livro tem sempre um papel superimportante nessa construção”, encerra Isabel Diegues.

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