'O pequeno companheiro', destaca crítica sobre 'Ciganos da Ciambra'

O jovem cineasta Jonas Carpignano parece já ter carimbado seu passaporte no cinema. Criado entre Nova York e Roma, seu primeiro longa (“Mediterranea”) conquistou o mundo, arrebatando prêmios por onde passou. Este filme fez abrir os olhos de Rodrigo Teixeira (o nosso homem por trás de “Me chame pelo seu nome” e “A bruxa”) e do gênio Martin Scorsese, que se uniram para produzir este segundo longa, uma espécie de ‘coming of age’ marginal, que se aproxima de um universo tantas vezes já visto na tela, contrastando aqui pelo tanto de sedução ao modus operandi que retrata.

O filme mostra um novo encontro do diretor com Pio Amato, seu protagonista no curta “Young lions of gypsy”; Jonas registra Pio em habitat natural, sua família cigana do interior da Calábria, enquanto abusa em borrar os limites da realidade de seu filme. Pio é um malandrinho de 14 anos que tem seu irmão como super-herói, desses “heróis” reais que são presos por envolvimento no mundo do crime. Ao perder pai e irmão para a cadeia, a família passa a depender de seus pequenos golpes para sobreviver. É nesse momento que o menino vai precisar encarar a vida adulta.

De montagem exuberante, o filme é uma espécie de releitura de tantos momentos clássicos de Scorsese. Apesar da premissa até batida, o diretor se empenha em ler esse fim de inocência da maneira mais pessoal possível, observando uma espécie de fi?m do sonho sonhado. A fotografia de tons alaranjados dá um caráter crepuscular à narrativa, como se fora a despedida de um dia inocente rumo a um amanhã incerto e ambíguo.

*Frank Carbone é membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (CCRJ)

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CIGANOS DA CIAMBRA: ** (Regular)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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