'Mistura de Eddie Murphy com Irmãos Coen', destaca crítica sobre 'Gringo'

Há anos Hollywood não emplaca uma comédia digna da tradição de gargalhadas do gênero. “Ted” (2012) foi o último grande exemplar do filão nestes tempos de crise moral. Logo, não é por acaso que o filme americano mais engraçado de 2018, até a agora, seja um thriller... e um thriller violentíssimo... mas com um certo perfume de irmãos Coen (tipo “Arizona nunca mais”) em sua rocambolesca estrutura de roteiro. Embora não tenha conexões direta com os Coen, o hilário (mas sangrento) “Gringo” lembra os filmes mais brincalhões de Joel e Ethan, tendo em seu volante um dublê australiano com vasto currículo de direção de curtas-metragens e clipes, Nash Edgerton. 

Ele é irmão mais velho do (ótimo) ator Joel Edgerton (de O Grande Gastby), que brinca de cafajeste no elenco desta produção do Amazon Studios, fotografada com olho vivo (e requinte plástico) pelo catalão Eduard Grau. Quem deita e rola na tela é o inglês de origem nigeriana David Oyelowo (Selma), hilário na pele de um executivo de uma empresa corrupta que, enrolado por todos, durante uma visita ao México, tenta dar o troco. O histórico de Oyelowo em Hollywood e na ala indie dos EUA é de dramas (quase sempre de cunho social). Por isso, é uma grata surpresa vê-lo brincar de Eddie Murphy (a analogia é imediata) numa trama que se pauta em viradas (editadas numa montagem febril) para discutir honestidade. Há muitos personagens que mereciam melhor amarração, como a executiva vivida por Charlize Theron, atriz cada vez mais caricata em cena, com exceção de seu desempenho em “Mad Max” (2015). Como diretor, Nash esbanja rigor no comando das sequências de ação. (RF)

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GRINGO: *** (Muito Bom)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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