'Deixe a luz do sol entrar': diretora faz experimento em novo filme 

Quem nunca procurou um grande amor? Com este mote, a diretora Claire Denis (“Bastardos”) narra a saga de Isabelle (Juliette Binoche), cinquentona, pintora e divorciada com uma filha para criar, em busca de um amor verdadeiro em “Deixe a luz do sol entrar” (“Un beau soleil intérieur”, 2017). Uma jornada onde ela encontra diversos pretendentes, mas que se revela desconfortável para personagem e público.

O que poderia ser uma dramédia ou uma tradicional comédia romântica vira um experimento nas mãos da outrora competente Claire Dennis. O longa mais parece um filme de episódios, apresentando um ritmo irregular a cada encontro. Um banqueiro repugnante, um ator narcisista e indeciso, um ex-marido e outros tipos que tem um comum apenas a possibilidade de se tornarem seu par perfeito e o fato de que cada relacionamento se prova enfadonho e torturante para quem está na poltrona. O único alívio é a atuação de Juliette Binoche, que é uma das melhores atrizes do mundo. 

Não é nenhum demérito para a diretora sair da sua zona de conforto e fazer um filme verborrágico. O roteirista e dramaturgo estadunidense Aaron Sorkin costuma ser um mestre nesse estilo. Claire Denis erra na mão e desperdiça o grande número de atores que fazem participações especiais em sua produção. Nicolas Duvauchelle, Alex Descas, Xavier Beauvois se desnudam de seus papeis tradicionais, em busca de um resultado que se perde pela direção imprecisa. Gérard Depardieu faz sua rápida passagem ser lamentável e mostra que o filme não sabe onde parar. 

A sátira social que poderia ser extraída desse ambiente parisiense, as desilusões amorosas que todos nós já passamos e criaria uma fácil identificação, os arquétipos estabelecidos pela roteirista Agnés Godard (parceira regular da diretora) que poderiam render com um distanciamento acertado e um estilo menos cansativo. Vez ou outra algum fragmento da imagem até acerta, mas é raro. O resultado final é um vazio, diálogos crus e monotonia que fazem com que Juliette Binoche carregue o filme sozinha.

*Tony Tramell é jornalista ([email protected])

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Outras estreias

“Madame” 

De  Amanda Sthers. Com  Toni Collette, Harvey Keitel, Rossy de Palma e Michael Smiley. Recém-chegados em Paris, os americanos Anne e Bob organizam um jantar para 12 pessoas. Quando uma presença inesperada faz o número virar 13, a supersticiosa anfitriã transforma a empregada em convidada especial. Ela acaba conquistando um comerciante de arte britânico, para desespero dos patrões.

"Nada a perder - Contra tudo. Por todos"

De  Alexandre Avancini. Com  Petrônio Gontijo, Dalton Vigh, Beth Goulart e André Gonçalves.  O filme conta a vida do bispo Edir Macedo, empresário, fundador e líder espiritual da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Rede Record.

“Uma dobra no tempo” 

De Ava DuVernay. Com Storm Reid, Oprah Winfrey e Reese Witherspoon. Os irmãos Meg  e Charles decidem reencontrar o pai, um cientista que trabalha para o governo e sumiu desde que se envolveu em um misterioso projeto. Eles são ajudados pelo colega Calvin e por três excêntricas mulheres em uma jornada incrível por diferentes lugares do universo.