Nomes essenciais do teatro mundial estão em A província dos diamantes

Jornalista Fernando Marques demonstra que é possível pensar o teatro fora dos limites acadêmicos

Considerado um “homem de teatro”, o escritor e jornalista Fernando Marques é figura importante da cena cultural de Brasília desde os anos 1980. Com A província dos diamantes, reunião de textos escritos entre 1996 e 2015 e publicados, em sua maioria, em cadernos de cultura de jornais do país, Marques nos prova que arte e pensamento são indissociáveis, assim como indissociáveis são teatro e palco.

Em uma coletânea de 59 artigos, divididos em quatro blocos, que abrange dos primórdios do teatro até o teatro moderno dos séculos XX e XXI, a obra publicada pela Autêntica Editora, em coedição com a Siglaviva, contextualiza com propriedade influências, pontos de partida, condições de produção e propostas de grandes nomes do teatro que dedicaram sua vida à arte.

Em A província dos diamantes, Marques busca explicar ao leitor a distinção e a função dos procedimentos teatrais que envolvem a dramaturgia, a encenação e a interpretação, por meio de análises do trabalho de cada autor ou companhia. A obra, dedicada ao crítico Sábato Magaldi (1927-2016), aborda nomes essenciais do teatro, como Ésquilo, Sófocles, Eurípides, Plauto, Shakespeare, Molière, Goethe, Lenz, Schiller, Martins Pena, Ibsen, Arthur Azevedo, Tchekhov, Stanislavski, Pirandello, Meyerhold, Oswald de Andrade, Oduvaldo Vianna, Artaud, Brecht, García Lorca, Procópio Ferreira, Beckett, Ionesco, Nelson Rodrigues, Arthur Miller, Dias Gomes, Suassuna, Boal, Grotowski, Guarnieri e Eugenio Barba.

Para o jornalista e crítico teatral Nelson de Sá, que assina a orelha do livro, os ensaios sobre teatro nele reunidos são claros e reveladores. “É um observador do palco que desvenda a Brasília de nomes como Hugo Rodas, mas cujo olhar esclarecedor se estende por todas as direções”, conta.  

A obra oferece uma oportunidade para que críticos, ensaístas, dramaturgos, artistas e estudantes conheçam melhor as questões que envolvem a estética teatral como um todo, não apenas restrita ao universo da mercadoria. Os artigos presentes no livro foram originalmente publicados nos jornais Correio BrazilienseO Estado de S.PauloJornal da Tarde, Folha de S.Paulo e O Globo; nas revistas CultFolhetimPalavra e Correio do Livro da UnB; nas revistas eletrônicas Moringa Diversos Afins; no site Teatrojornal e no blog Cartografias da Voz.

José Fernando Marques de Freitas Filho, nascido no Rio de Janeiro, brasiliense por adoção, é professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília, jornalista, escritor e compositor. Doutor em Literatura Brasileira pela UnB com tese sobre teatro musical. Publicou Retratos de mulher (poesia), Contos canhotosA comicidade da desilusão: o humor nas tragédias cariocas de Nelson Rodrigues (ensaio), Com os séculos nos olhos: teatro musical e político no Brasil dos anos 1960 e 1970 (ensaio) e dois textos teatrais: Zé: peça em um ato e o livro-CD Últimos: comédia musical. Autor da comédia A quatro, encenada em Brasília, e das canções do CD De cor, da cantora Wilzy Carioca. 

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