John Nicholson apresenta a exposição Cores da Europa na Galeria Patricia Costa

Artista produziu 17 obras inéditas em cidades como Sevilha, Lisboa, Estocolmo e Paris 

John Nicholson gosta de observar os detalhes. Para o artista americano radicado no Brasil há 40 anos, a beleza das cenas está na luz, nos gestos, no tom de pele, no andar e na troca de olhares entre os personagens. Durante mais de 20 anos, capturou essas nuances em suas viagens, fotografou tudo e trouxe para seu ateliê, no Rio de Janeiro.

 Do início de 2015 a julho deste ano decidiu dar vida às antigas imagens. O resultado do trabalho será apresentado ao público na exposição Cores da Europa, a partir de 06 de setembro, na Galeria Patricia Costa, em Copacabana.

Para a mostra, John Nicholson selecionou 17 obras inéditas, produzidas a partir de cenas clicadas em cidades como Sevilha, Madri, Lisboa, Estocolmo, Paris  e Dublin, na Irlanda, onde seu pai nasceu. São 10 pinturas a óleo e 7 aquarelas, de pequenas, médias e grandes dimensões. “Desta vez a procura pela plasticidade exigia mais espaço, profundidade, por isso, recorri aos cenários de ruas e paisagens”, diz.

 A fotografia serve como esboço inicial para o trabalho do artista. Formado em arte pela tradição norte-americana, em que realismo, fotorrealismo e pop art exercem forte influência sobre a pintura dos séculos 20 e 21, para John Nicholson o mais importante nesse processo é poder utilizar a imagem para capturar o indivíduo e lançá-lo no espaço pictórico, como se este fosse um espaço real, o seu habitat no dia-a-dia.

 No ato de observar intensamente, tudo que há de significativo surge nitidamente e fica disponível, exposto ao olhar do artista. “As fotos são como rascunhos, a partir delas é que as pinturas surgem. Gosto de flagrar as pessoas com naturalidade, sem que a cena se desfaça”, conta o artista.

 A exposição Cores da Europa representa também uma nova fase para John, que se afasta das cenas cariocas e da figura feminina, muito presentes em suas últimas produções “Olhando para o conjunto desta nova exposição percebo quanto meu trabalho mudou e cresceu neste período. Quis explorar mais a plasticidade, com manchas e gestos mais soltos. Privilegiei a leveza, sem me preocupar com as formas tão arredondadas e perfeitas”, explica o pintor, que na década de 1980 foi professor de Adriana Varejão e Daniel Senise no Parque Lage.