Em protesto, Ingra Lyberato deixa comissão brasileira do filme do Oscar

Atriz se soma a diretores que deixaram disputa em solidariedade ao filme Aquarius

A atriz Ingra Lyberato anunciou nesta sexta-feira (26) que deixou oficialmente a comissão que escolherá o filme brasileiro do Oscar. A decisão da atriz ocorre um dia depois de o diretor Gabriel Mascaro retirar da disputa seu filme Boi Neon em protesto aos ataques do crítico Marcos Petrucelli, que fez comentários contrários e ofensivos à manifestação da equipe do filme Aquarius em Cannes, na França. Petrucelli também integra a comissão do filme brasileiro do Oscar.

Recentemente, a diretora Anna Muylaert, de Que horas ela volta?, anunciou que não vai inscrever seu novo filme, Mãe Só Há Uma, para a disputa, como ato de protesto contra os ataques de Petrucelli e em solidariedade ao cineasta Kleber Mendonça Filho, de Aquarius.

Em seu comunicado, Ingra Lyberato ainda afirmou que é contra o "golpe que impediu e retirou o governo eleito democraticamente (da presidente Dilma Rousseff)". Veja a nota da atriz:

Queridos colegas e amigos, declaro minha decisão de sair da comissão que vai escolher o filme brasileiro que irá concorrer a vaga no Oscar. Aceitei o convite por conhecer a intenção do Alfredo Bertini e acreditar naquele momento, que o processo poderia ser construtivo e baseado no interesse de todos.Há alguns dias comecei a sofrer por causa da retirada de alguns filmes preciosos. Estou diante da minha classe insatisfeita e clamando por justiça. Minha função diante da arte que me construiu nessa existência é atuar e escrever histórias. Não estou escolhendo um lado porque já o tinha feito desde sempre: Sou contra o golpe que impediu e retirou o governo eleito democraticamente, de suas funções. Mas não corto relações de amizade com ninguém por causa disso. Acredito na nossa união como classe artística acima de tudo. Sei que nome de grande representatividade já aceitou integrar a comissão, mas esse processo fragmentado pode comprometer nosso maior interesse: o cinema. Como a comissão tem sua legitimidade questionada por grande parte de nossa classe, me retiro em respeito a minha própria tribo, lamento profundamente esse conflito e torço para que nova comissão encontre legitimidade. Nós todos merecemos uma conclusão harmônica nesse processo.

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