Artista plástica dialoga com as criações de Zuzu Angel em exposição no Rio

A pernambucana Dani Acioli expõe obras que dialogam com legado de estilista

A partir do dia 26 de julho, o Espaço GaleRio, a galeria do Instituto EixoRio, em Botafogo, recebe a exposição Trama: diálogos com Zuzu, da artista pernambucana Dani Acioli. Vibrante e repleta de nuances, a mostra é resultado de um convite da Prefeitura do Rio de Janeiro, numa parceria entre o EixoRio e o Instituto Zuzu Angel. A exposição marcará ainda a entrega do Prêmio Rio V.I.É.S. Moda Ano Zuzu Angel, que, nesta edição) homenageia a estilista (in memorian), por meio da filha Hildegard Angel.

A artista plástica procurou travar uma relação mais delicada e menos direta com o legado da estilista mineira Zuleika Angel Jones. Na nova série de desenhos da pernambucana, essencialmente universo feminino, ela “cava” com o nanquim a folha de papel, traçando, de maneira orgânica, como quem talha a madeira na xilogravura, as tramas com que outras mãos marcam e tecem o tempo medido.

Em suas criações, é outro o tempo; o tempo do bordado, da trama que tem a paciência como matéria-prima e a arte como ponto de chegada, formando-se aos poucos. O desenho pensado como espera. “Somos teias, recortes, enlinhados e vamos nos tecendo, cravando em carne viva na pele. Somos um conjunto de marcas, de emendas que fazemos ao longo do nosso caminho. E temos beleza por isso. Inteireza nesse caminhar”, observa Dani.

Zuzu Angel foi uma mulher que buscou quebrar paradigmas em seu trabalho, com a utilização de materiais pouco comuns, à época, na moda. Buscou, por exemplo, a renda e apreciava a cultura do Nordeste. Pegou a renda de bilro e colocou em um contexto sofisticado. 

Vem daí também a inspiração da artista nos elementos da trama, que ganham contornos simbólicos pelas suas mãos, resvalando em composições repletas de expressividade. O preto que dá vida às suas mulheres salta aos olhos, como se quisessem processar o que não pode ser calado. 

“É muito necessário falar das mulheres. Necessário falar da nossa dor. Necessário pela nossa força. Nosso prazer é calado, cortado, tolhido desde que a gente nasce. Nasce e vive com regras. Neste mundo, a gente se rasga. A gente está se parindo constantemente, sempre com muito esforço. Para se colocar, a gente quebra meio mundo. Então, essa delicadeza está próxima à do parto, que também é bruto”, lembra Dani Acioli.