4ª edição do Rolé Carioca percorre as ruas de Santa Teresa

Vocação artística e boemia são os principais atrativos do charmoso bairro do Centro

Será pelas charmosas ruas de Santa Teresa, bairro mais pedido pelo público, que o Rolé Carioca dará os seus primeiros passos na sua quarta edição. A vocação artística e a boemia, os casarões antigos e bem conservados, o Parque das Ruínas, a Chácara do Céu, suas ladeiras e ruas de paralelepípedos serão percorridos no último domingo de abril, dia 24, a partir das 9h, com ponto de encontro no Largo do Curvelo. 

O evento é gratuito e dispensa inscrições.

Santa Teresa guarda nas suas ruas e calçadas a beleza das construções do século XIX, momento no qual a elite carioca subiu o morro para aproveitar do ar fresco da região, estrategicamente próxima à Baía de Guanabara e com acessos tanto pelo Centro, quanto pelas zonas norte e sul. Ainda hoje o bairro mantém a estrutura de uma única e comprida via, sem sinal de trânsito ou posto de gasolina, de certa forma isolado de seus vizinhos, onde se encontra calçamento de paralelepípedos e pé-de-moleque e lamparinas de iluminação centenárias, ‘qualquer coisa entre Paraty e as cidades coloniais mineiras’, como diria o poeta Caio Fenando Abreu.

Além dele, ali escolheram viver ilustres moradores como Paschoal Segreto, Laurinda Santos Lobo, Manuel Bandeira, Djanira, Nise da Silveira, artistas da contracultura como Dzi Croquetes e outros tantos. E a boemia segue presente, em botecos no melhor estilo ‘como antigamente’, ao redor de Largos com o das Neves, que parece parado no tempo.  Santa Teresa foi o único lugar na cidade que manteve o bonde como meio de transporte até o século XXI Embora esteja atualmente mais voltado para o turismo, o bonde tem o charme de trafegar sobre o antigo aqueduto da cidade.

Principais pontos do passeio:

Largo do Curvelo: o nome é uma homenagem a um ilustre morador das redondezas, o Barão do Curvelo. A localidade já foi palco para bandas independentes se apresentarem. Eventualmente, ainda é cenário para encontros musicais e artesanais. É também o ponto de encontro de moradores no fim da tarde para conversar e jogar xadrez. No Carnaval, é passagem do famoso Bloco das Carmelitas.

Parque das Ruínas: a principal atração é a casa com o mirante. A casa teve suas ruínas aproveitadas em composição com novas estruturas metálicas. O mirante possui ampla e magnífica vista para a cidade a Baía de Guanabara. Ao caminhar pelo interior da construção, onde as paredes ficam aparentes em alvenaria, tem-se uma verdadeira aula de método construtivo de sobrados do início do século XX. O parque  abriga também uma pequena praça, um palco, uma galeria, auditório. Neste local do mirante, sua antiga proprietária, Laurinda Santos Lobo, promovia movimentados saraus que agitavam as noites do início do século XX. Em um painel de metal, exposto no local, existe um breve relato da história do casarão e dos fatos lá acontecidos.

Museu Chácara do Céu: localizada perto da estação Curvelo, parada do bonde de Santa Teresa, e ao lado do Parque das Ruínas, a casa é uma das antigas residências de Raimundo Ottoni de Castro Maya, um bem sucedido empresário e colecionador de obras de arte. Em 1936, Castro Maia herdou uma casa no local, e convidou seu amigo, o arquiteto Wladimir Alves de Souza, para projetar uma nova casa para o local, que é a que hoje abriga o museu com inúmeras obras de arte do colecionador. Trata-se de uma casa modernista clássica, feita de ângulos retos em estilo purista cubista. Destacam-se os inúmeros originais de obras de arte feitos por artistas que estiveram no Brasil principalmente na primeira metade do século XIX, incluindo quase 500 originais de Jean-Baptiste Debret. Além disso, a casa possui belos jardins e uma linda vista da cidade e da Baia de Guanabara.

Convento de Santa Teresa: o convento e sua Igreja possui história que remete ao século XVIII, sendo de grande importância para os fiéis e também de importância histórica no desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro. Foi o primeiro convento feminino do Brasil, construído em 1750 pelo governador Gomes Freire de Andrade, em terreno de sua propriedade, que doou às freiras Carmelitas descalças, suas protegidas. A autoria do projeto e direção das obras do Convento é do Engenheiro Brigadeiro José Fernando Pinto Alpoim. e. As principais reformas e restaurações ocorreram no início do século XX. Os jardins do pátio do Convento e da Igreja possuem uma estátua de Santa Teresa com muitas roseiras, que certamente fazem referência às palavras da freira carmelita do século XIX, Teresinha do Menino Jesus.

Escadaria Selarón: a escadaria liga o Largo da Lapa à parte do bairro de Santa Teresa próxima ao convento de mesmo nome. Decorada com inúmeros azulejos pelo artista plástico chileno Jorge Selarón, tornou-se um ponto turístico do Rio de Janeiro atraindo inúmeros visitantes. Na verdade, é uma rua de acesso ao bairro de Santa Teresa, chamada Rua Manuel Carneiro, com casas de ambos os lados e tão inclinada que somente é possível à circulação de pedestres.

Sala Cecília Meireles: dedicada à música de concerto, está localizada em edifício construído no final do século XIX, no Largo da Lapa, e tem sido, desde 1965, uma das mais conceituadas casas de espetáculos de música clássica erudita e música de câmara. Grandes pianistas, solistas, e artistas em geral, do Brasil e do mundo já se apresentaram no local. Antes de ser reformado para abrigar as salas de concertos, o edifício abrigou um antigo e famoso hotel, assim como um cinema. Tratava-se do Grande Hotel, construído em 1896 e que aparece em muitas fotos do Rio antigo, do início do século XX.

Curiosidades

Dzi Croquetes: Na década de 1970, 13 amigos se reuniram e formaram o grupo que mudaria completamente o cenário teatral brasileiro, os Dzi Croquettes. Eles estrearam no lendário cabaret Casanova, na Lapa, com o espetáculo “Gente Computada Igual a Você”, ironizando abertamente os valores políticos, comportamentais e sexuais da época. Todos os componentes moravam juntos em um casa em Santa Teresa, formando uma grande família expressando o confronto com os ideais comportamentais da época.

Bloco Carmelitas: Conta a lenda popular que em uma dada sexta-feira de carnaval uma freira foi vista pulando o muro do convento de Santa Teresa e se misturando aos foliões do carnaval carioca e, fazendo o mesmo trajeto para voltar ao convento na terça-feira, ao fim da folia. Esta história inspirou a criação do Bloco das Carmelitas a partir de 1990, data que começou a desfilar no local onde fica o convento. O bloco leva centenas de pessoas às ruas, muitos vestidos de freira justamente para a fujona não ser reconhecida. Devido à lenda, o bloco mantém a tradição de sair na sexta e na terça.

Bloco Carnavalesco Céu na Terra: O bloco Céu na Terra foi fundado em 2001 com a proposta de fazer um desfile com os foliões fantasiados como nos antigos carnavais da cidade. A proposta teve tanto sucesso que em 2011 o bloco foi considerado pelo jornal “O Globo” o mais colorido do carnaval carioca. A concentração acontece no Largo das Neves e no trajeto juntam-se bonecos gigantes, pernas de pau de centenas de animados foliões fantasiados.

Rolé - 4ª edição

“O Rolé Carioca é um sistema integrado de comunicação de conteúdos históricos” – assim o projeto é definido por um dos diretores do Estúdio M’Baraká, idealizador e realizador do projeto. Inaugurado em 2013, o Rolé Carioca já atingiu a marca de 70 km percorridos em 21 passeios gratuitos, promovendo as histórias da cidade para um público estimado em 15 mil participantes. Hoje o projeto conta com um portal com informações sobre todos os passeios:www.rolecarioca.com.br - onde também são encontrados artigos, entrevistas, dicas culturais e curiosidades sobre os bairros.

Novidades no Rolé 2016

Este ano, o projeto Rolé Carioca terá uma série de desdobramentos: inauguração da série “Rolezinho Carioca”, com duas edições formatadas para alunos da rede pública; uma exposição e mais três passeios extras temáticos: o primeiro deles num agradável e romântico fim de tarde, no Dia dos Namorados. Também será lançando um guia impresso, para que cariocas e visitantes possam dar seus rolés pelo Rio sempre que quiserem.

Os outros locais escolhidos para esta bairros  em que o Rolé vai passar nesta quarta temporada são Maracanã, Engenho de Dentro, Copacabana, Circuito Porto, Del Castilho e Laranjeiras. O local do último passeio, será escolhido por votação no site do projeto (www.rolecarioca.com.br), o público é que vai decidir, entre os roteiros já realizados, onde quer passear.

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