MAM inaugura exposição “O que acaba todos os dias", uma antologia da obra de Laercio Redondo

Mostra apresentada pela Petrobras, Bradesco Seguros, Light e Organização Techint 

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Petrobras, Bradesco Seguros, Light e Organização Techint apresentam, de 12 de dezembro de 2015 a 14 de fevereiro de 2016, a exposição “O que acaba todos os dias”, uma antologia da obra do artista Laercio Redondo, que se divide entre o Rio de Janeiro e Estocolmo, na Suécia. Com curadoria de Justine Ludwig, diretora de exposic?o?es e curadora-chefe no Dallas Contemporary, nos EUA, serão apresentados 11 trabalhos produzidos desde 2007 até os dias de hoje, incluindo uma obra inédita sobre Lota de Macedo Soares e sua relação com o Parque do Flamengo, além de outros trabalhos que tratam da memória coletiva e seus apagamentos na sociedade. A mostra é itinerante e será apresentada em 2016 no Dallas Contemporary.

Na exposição serão apresentados videoinstalações, fotografias, gravuras, esculturas, vídeos e impressões de silkscreen em plywood. O trabalho de Laercio Redondo é freqüentemente motivado pela interpretação de eventos específicos relacionados com a cidade, a arquitetura e representações históricas “O que acaba todos os dias é uma reflexão sobre a cidade e o país que o rodeia, com toda a sua complexa dinâmica social. Ele repensa o relacionamento da arquitetura com a identidade, tanto no nível pessoal quanto no nacional. Redondo, através de sua prática, ressuscita profissionais da área da cultura cujas obras permanecem relevantes até hoje”, explica Justine Ludwig. 

A videoinstalação inédita “Desvios”, de 2015, refere-se à Lota de Macedo Soares e ao Parque do Flamengo. Ambientada com samambaias e cortinas, obra é composta por um vídeo de uma hora de duração, onde é percorrida a distância entre o Parque do Flamengo – projetado por Lota de Macedo Soares, onde se localiza o MAM Rio – , e a Casa Samambaia, sua residência particular fora da cidade do Rio de Janeiro, na Serra de Petrópolis. “A trilha sonora do filme chama a atenção para a evidente ausência de Lota de Macedo Soares na memória coletiva brasileira”, ressalta a curadora. 

“Laercio Redondo escava memórias, muitas vezes usando a arquitetura e seus criadores como ponto de partida. Profundamente atento à pesquisa da dinâmica cultural, Redondo mescla narrativa poética a uma visão pessoal para criar instalações multifacetadas. Nesta exposição ele examina importantes figuras brasileiras, como Athos Bulcão, Lota de Macedo Soares e Lina Bo Bardi. Muitas vezes, dando voz aos que foram silenciados, Redondo aponta as implicações universais do esquecimento coletivo”, afirma a curadora. 

Destacam-se também na exposição duas obras que focam o trabalho de Lina Bo Bardi: o vídeo “A Casa de Vidro” e a série de fotografias “Blow Up/ A Casa de Vidro”. “O vídeo mostra o registro da casa em duas ocasiões, uma em 1999 e outra em 2008. Ele chama a atenção para a natureza habitada da casa, em contraste com a percepção de um remanescente arquitetônico. O foco de Blow Up / A Casa de Vidro está nos detalhes e objetos que foram ampliados a partir das imagens originais da casa até o ponto de perderem a nitidez. Elas servem de contraponto às fotos arquitetônicas tradicionais pelo fato que a própria casa é suprimida da imagem. As imagens evidenciam os objetos que permaneceram na casa durante o período da restauração, transformando-os em artefatos que perderam sua finalidade original”, conta a curadora.