'O Beijo no Asfalto', de Nelson Rodrigues, estreia no Solar de Botafogo

Uma Tragédia Carioca em 3 atos e 13 quadros

Escrita em 1960 e incluída entre as tragédias cariocas do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980), o clássico O Beijo no Asfalto estreia no Rio no dia 31 de julho, sexta-feira, às 21h, no Centro Cultural Solar de Botafogo. É a quarta versão do texto que o diretor Marco Antonio Braz leva aos palcos.

No elenco, os atores Marcos Breda (repórter Amado Ribeiro), Pedro Paulo Eva (delegado Cunha), Danielle Scavone (Selminha), Pamela Domingues (Dona Matilde, Dona Judith e a Viúva), Cal Titanero (Arandir), Stella Portieri (Dália), Josias Souza (investigador Aruba e Werneck), Alvaro Gomes (Aprígio) e Leonardo Santos (fotógrafo, Pimentel, o vizinho) revelam ao público como se contrói o discurso do ódio, do preconceito e da hipocrisia em três atos e 13 quadros.

O enredo discute incesto, aborto, bullying, homofobia, violência policial e o poder da mídia, assuntos nada ultrapassados mesmo 55 anos depois de escrita a peça. "Todos os textos parecem ter sido colhidos a partir das páginas de qualquer jornal de hoje. Seus temas e enredos são conteúdo de editoriais”, completa Braz, ganhador do Prêmio Shell, Prêmio Contigo como melhor diretor pela peça A Alma Boa de Setsuan, com Denise Fraga, e Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) como melhor diretor por sua segunda montagem de O Beijo no Asfalto (2002).

A peça 'O Beijo no Asfalto' foi inspirada num fato verídico – o atropelamento de um repórter. No chão, o jornalista, próximo da morte, pede um beijo a uma jovem que tentava socorrê-lo. Nelson Rodrigues adaptou a história para os palcos e em sua trama, de final surpreendente, o atropelado da Praça da Bandeira pede um beijo a Arandir, um rapaz. Amado Ribeiro, repórter do jornal Última Hora, presencia o beijo na boca entre os dois homens e, junto com o delegado Cunha, explora o fato tornando-o escândalo midiático. 

"Arandir é um símbolo de pureza que transformamos em bode expiatório, sobre o qual jogamos nossos recalques. O beijo que concede a um moribundo é um símbolo de aceitação da morte e de pureza de alma. Todas as dúvidas sobre este gesto só reforçam o caráter trágico dessa via-crúcis suburbana", analisa o diretor que pretende abraçar as premissas do melodrama e conduzi-lo a seu grau mais alto de expressão do sentimento.

“A intenção é de trazer a peça para os dias de hoje com poucos elementos, sem alterar uma vírgula do texto original”. E com isso construir uma cena sagrada e ao mesmo tempo contemporânea, em que podemos desfilar os quadros desta irônica parábola cristã suburbana’, completa Braz. Para isso, a encenação privilegiará a iluminação cênica como forma de concentrar toda a ação dramática aos personagens e alguns poucos signos: jornais, cálice, caixão e arma. A cenografia é concebida por Telumi Helem e a iluminação é de Aurélio de Simoni.

A peça

'O Beijo no Asfalto' foi escrita em apenas 21 dias especialmente para o ‘Teatro dos Sete’, a pedido dos atores Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Estreou em 07 de julho,no ano de 1961, no Teatro Ginástico, no Rio de Janeiro, sob direção de Fernando Torres e cenários de Gianni Ratto e elenco formado por Fernanda Montenegro, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Mário Lago, Renato Consorte, Marilena de Carvalho, Suely Franco, Labanca, Oswaldo Loureiro, N.N, Zilka Salaberry, Francisco Cuoco, Ivan Ribeiro, Susy Arruda, Carminha Brandão e Henrique Fernandes. A peça teve ainda duas versões cinematográficas, a primeira, ‘O Beijo’, em 1966, com direção de Flávio Tambellini e com Reginaldo Faria, Norma Blum, Xandó Batista, Nelly Martins e Jorge Dória nos papeis centrais; e outra em 1981, com direção de Bruno Barreto e elenco composto por Ney Latorraca, Tarcísio Meira, Christiane Torloni e Daniel Filho, nos papéis centrais.

Ficha Técnica: O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues

Direção: Marco Antônio Braz

Assistência de Direção: Carolina Guimarães

Elenco: Marcos Breda (Repórter Amado Ribeiro), Pedro Paulo Eva (Delegado Cunha), Alvaro Gomes (Aprígio), Cal Titanero (Arandir), Danielle Scavone (Selminha),  Josias Souza (Investigador Aruba e Werneck), Leonardo Santos (Um Fotógrafo, Pimentel, O Vizinho), Pamela Domingues (Dona Matilde, Dona Judith e a Viúva), Stella Portieri (Dália) 

Preparação Corporal: Luis Louis

Figurino e Cenografia: Telumi Helem assistentes

Cenógrafo Assistente: Clau Carmo

Assistente de figurino: Margarita Hernández

Costureira e equipe: Elisangela Dally

Iluminação: Aurélio de Simoni

Sonoplastia: Marco Antônio Braz

Fotos de cena: Lenise Pinheiro

Produção: Fernando Alves e Clara Machado

Serviço: O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues

Local: Teatro Solar de Botafogo - R. General Polidoro, 180, Botafogo

Temporada: 31 de julho a 23 de agosto, sextas e sábados as 21h, domingos, às 19h

Ingressos: R$40 inteira, R$20 meia entrada.

Classificação: 16 anos

Mais informações: (21) 2543-5411